Na postagem anterior mencionei os personagens que gostaria de passar o dia, mas depois fiquei pensando que há personagens que definitivamente detestaria encontrar, se encontrasse provavelmente o resultado seria o desastre. Vou seguir o mesmo esquema de começar pela minha infância e depois vou seguindo até hoje.
Na minha infância eu li Pollyanna, sim, eu li. Confesso que naquela época até que gostei, mas depois de algumas reflexões, alguns acontecimentos desagradáveis depois, percebi que o tal "jogo do contente" era a última coisa que eu precisava como consolo, que toda vez que alguém chegava com uma lógica parecida comigo, eu tinha vontade de socar essa pessoa na cara, afinal, quando estamos desesperados por algum motivo saber que há pessoas que estão piores não ajuda, ainda mais porque eu ficava com a impressão que minha interlocutora não estava assim tão preocupada com o meu problema, já que se ela tinha cabeça pra pensar em outros supostos sofredores, que supostamente estavam piores que eu, então eu não tinha importância nenhuma pra ela, então ela que fosse consolar essas pessoas mas sofridas que eu e me deixasse em paz. Outro dado sobre a Pollyanna, é que ela esquecia seus próprios problemas em função dessas mesmas pessoas piores que ela, caraca, na real essa garota não se dá a menor importância, ela tem sérios problemas de negação, o fato de pessoas sofrerem mais que ela, ou sofrerem mais que eu, não significa que meu sofrimento ou o dela não tenha importância, nem mereça atenção. E quando tudo parecia que isso ia ficar somente na minha infância, eis que me aparece o Pangloss.
O Pangloss para mim é uma versão adulta e mais filosófica da Pollyanna, ele é uma espécie de mestre e companheiro de aventuras de Cândido, do livro clássico do Voltaire. Enquanto eu lia esse livro, não via a hora que o Pangloss caísse na real, já que toda a aventura estava marcada por um monte de desgraça. Isso complica muito. Já que nem sempre manter o otimismo cego ajuda, às vezes uma pessoa que assume que a situação esta complicada enxerga melhor as saídas. Se é que existe saída. Mas ainda bem que diferente da Eleanor H. Porter, a autora da Pollyanna, Voltaire é um gênio literário e filosófico, o que fez dessa abordagem do otimismo uma leitura muito, mas muito mais interessante mesmo. Os momentos de ironia no texto geniais, adoro esse livro. Completamente diferente da pieguice emética da Pollyana. No fundo acho os otimistas demais muito chatos.
Uma personagem recente que odiaria encontrar é a Dolores Umbridge, que foi a professora de Defesa contra as Artes das Trevas de Harry Potter, acho que de todos os vilões ela é a única personagem que realmente consegui sentir repulsa. Diferente de vários vilões clássicos da Literatura, que costumam ter um certo charme, um carisma, a Dolores não é nada disso. Ela é chata, não dá pra sentir a menor empatia com ela. Falo empatia mesmo. Vejamos o Voldemort, mesmo com toda maldade, somos tentados a entender o que se passou com ele, sabemos que a vilania dele tem uma causa, é um personagem psicologicamente complexo, ele não é chato, há momentos que dá até pra entender o por quê dele ser do jeito que é. Mas a Dolores, francamente não dá. Ela é má por pura opção. E parece que não faz a menor questão de ser diferente. Há uma coisa que já faz da J. K Rowling uma escritora histórica, ela conseguiu criar a vilã mais desagradável de todos os tempos. Nunca tive tantos problemas com os vilões, mas essa é a mais desagradável de todas. Alias os vilões costumam ser até bastante sedutores. Personagens interessantes mesmo.
Há um personagem no entanto que tenho minhas dúvidas, o Gregor Samsa. Acho que se não fosse o problema dele ter virado um inseto, coisa que não sei de onde tiraram a ideia de que seria uma barata, já que pelo menos nas traduções que eu li poderia ser um besouro, mas como tenho sérios problemas com insetos em geral, besouros, baratas, borboletas, mariposas, gafanhotos, tenho fobia a todos eles. Sou do tipo que não pode ver borboletas nem desenhadas por crianças. Imagina pensar numa pessoa metamorfoseada num inseto enorme, um pavor completo. Mas ao mesmo tempo, eu sinto uma compaixão enorme pelo personagem, pelo ser humano que ainda reside nele, no momento que a família passou a vê-lo como uma vergonha, e ele chegou a ser atacado por aquela maçã, eu não consigo descrever o que eu senti nesse momento da história. Eu chorei convulsivamente por horas com essa atitude do pai. Deu vontade de proteger.
Interessante que durante o processo de elaboração do texto, percebo que a quantidade de personagens que detestaria encontrar não são muitos. Deve ser porque a Literatura sempre nos traz coisas boas. Mesmo quando estamos lendo livros densos, cheios de tragédias, nos expondo o lado mais sombrio da vida, ainda assim somos inundados por sentimentos, por luzes e sombras, sobretudo pela beleza de um texto bem escrito. Não sei se algum dia serei capaz de escrever como um grande escritor, mas tento fazer o melhor que eu posso. E vou prestando minhas singelas homenagens nessas linhas, nesse espaço que eu criei para expressar minhas ideias, e escrever simplesmente porque eu amo a palavra escrita. Aos grandes e pequenos escritores meu muito obrigada por colocarem esses personagens na minha vida, tanto os legais quanto os chatos.
domingo, 6 de abril de 2014
Personagens que eu Passaria um Dia se eu Pudesse - Texto Rápido
Acho que todo amante de livros, sobretudo romances já se imaginou tendo encontros com personagens, o que seria dito nesses encontros, se daria algum conselho, ou iria preferir ouvir mais, resolvi listar brevemente aqui uns que me vêm a mente quando penso nisso.
Na minha infância são dois, A Sofia do livro Sofia, a Desastrada de Condessa de Segur, pois a menina se dava mal o tempo todo, um dos poucos personagens infantis antigos que mostrava a infância do jeito que ela era, sem muita fantasia. Eu era igualzinha. O outro seria o Tistu, do Menino do Dedo Verde, Maurice Druon, o primeiro e único livro infantil do autor e foi muito bem sucedido, lembrando que os livros adultos são muito bons. O Tistu é outro que eu adoraria brincar e ter como amigo.
Na adolescência, seria a Clara da Casa dos Espíritos, Isabel Allende, sou uma das que detestou a escolha da Merill Streep pra fazer a personagem, por maior que seja o talento dela, não dá pra encaixar a personagem com o rosto dela, deveriam pegar uma atriz mais morena e mais jovem, pois mesmo depois de uma certa idade, dava a entender que ela mudou pouco. O único ator que achei bem escalado foi o Jeremy Irons. Outro seria Adonai do livro homônimo com o subtítulo de Novela Iniciática do Colégio dos Magos do Jorge Adoun, ele também é conhecido como Mago Jeffa, acho interessante porque ele joga toda a história no contexto libanês, O Adonai da história começa como Adônis e ele é cheio de dons espirituais, e é inteligente pra caramba, mas se envolve com um dos vários problemas políticos do Líbano e tem que se isolar numa comunidade drusa onde conhece um mago que tem que ajuda-lo na sua iniciação, mesmo depois de iniciado, quando passa a se chamar Adonai, ele chega a ser conselheiro de um vizir, lidando com essas questões mais políticas mesmo.
Nos meus 20 anos adoraria conviver com Sherlock Holmes, que dispensa comentários.
Agora aos 30 e tantos penso em todos os psicanalistas criados, tanto os inspirados em personagens reais quanto os fictícios, pelo Irvin D. Yalon, o do Quando Nietzsche Chorou. Adoraria conversar com todos eles, e sobretudo ser paciente do autor.
Claro que há personagens mais ricos, existencialmente claro, que até gosto bastante, o Dorian Gray, do Retrato por exemplo, adoro o livro, adoro o jeito como ele vai se construindo e desconstruindo, mas não sei se daria pra aguentar toda aquela bajulação em torno da figura dele, nem o Sir Henry, provavelmente. Amo o livro O Estrangeiro do Albert Camus, o Meursault, quem sabe? Ele parece frio e apático, mas algumas coisas fazem sentido. Vira e mexe me pego pensando que essa é uma pessoa que me entenderia. Muito bom pra quando estamos precisando de respostas cruas, sem rodeios. Na realidade seria interessante um personagem por dia. Nossos dias mudam, as companhias literárias também.
Na minha infância são dois, A Sofia do livro Sofia, a Desastrada de Condessa de Segur, pois a menina se dava mal o tempo todo, um dos poucos personagens infantis antigos que mostrava a infância do jeito que ela era, sem muita fantasia. Eu era igualzinha. O outro seria o Tistu, do Menino do Dedo Verde, Maurice Druon, o primeiro e único livro infantil do autor e foi muito bem sucedido, lembrando que os livros adultos são muito bons. O Tistu é outro que eu adoraria brincar e ter como amigo.
Na adolescência, seria a Clara da Casa dos Espíritos, Isabel Allende, sou uma das que detestou a escolha da Merill Streep pra fazer a personagem, por maior que seja o talento dela, não dá pra encaixar a personagem com o rosto dela, deveriam pegar uma atriz mais morena e mais jovem, pois mesmo depois de uma certa idade, dava a entender que ela mudou pouco. O único ator que achei bem escalado foi o Jeremy Irons. Outro seria Adonai do livro homônimo com o subtítulo de Novela Iniciática do Colégio dos Magos do Jorge Adoun, ele também é conhecido como Mago Jeffa, acho interessante porque ele joga toda a história no contexto libanês, O Adonai da história começa como Adônis e ele é cheio de dons espirituais, e é inteligente pra caramba, mas se envolve com um dos vários problemas políticos do Líbano e tem que se isolar numa comunidade drusa onde conhece um mago que tem que ajuda-lo na sua iniciação, mesmo depois de iniciado, quando passa a se chamar Adonai, ele chega a ser conselheiro de um vizir, lidando com essas questões mais políticas mesmo.
Nos meus 20 anos adoraria conviver com Sherlock Holmes, que dispensa comentários.
Agora aos 30 e tantos penso em todos os psicanalistas criados, tanto os inspirados em personagens reais quanto os fictícios, pelo Irvin D. Yalon, o do Quando Nietzsche Chorou. Adoraria conversar com todos eles, e sobretudo ser paciente do autor.
Claro que há personagens mais ricos, existencialmente claro, que até gosto bastante, o Dorian Gray, do Retrato por exemplo, adoro o livro, adoro o jeito como ele vai se construindo e desconstruindo, mas não sei se daria pra aguentar toda aquela bajulação em torno da figura dele, nem o Sir Henry, provavelmente. Amo o livro O Estrangeiro do Albert Camus, o Meursault, quem sabe? Ele parece frio e apático, mas algumas coisas fazem sentido. Vira e mexe me pego pensando que essa é uma pessoa que me entenderia. Muito bom pra quando estamos precisando de respostas cruas, sem rodeios. Na realidade seria interessante um personagem por dia. Nossos dias mudam, as companhias literárias também.
domingo, 2 de março de 2014
Sobre a Aprovação Automática: pronto falei.
Existe numa condição discreta, passando despercebida para uma boa parcela da população uma espécie de batalha entre pedagogos e professores, até porque é bom esclarecer logo que há diferenças. Pedagogos essencialmente são formados em pedagogia, estudam métodos de ensino e os aplicam genericamente em todas as áreas escolares. Quando atuam nas escolas podem vir a ensinar qualquer coisa, ou mesmo compor o quadro administrativo: direção, coordenação, orientação etc. Nas faculdades são os que ensinam disciplinas como Fundamentos da Educação, Didática, Prática de Ensino e supervisionam os estágios dos futuros professores. O pedagogo é basicamente um professor que ensina um outro professor a dar aulas. O professor, por sua vez, pode ser qualquer um que tenha feito algum curso de Licenciatura, nesse caso ele obtém o título numa área específica do conhecimento. No caso Licenciatura em Matemática, Licenciatura em Letras, Biologia, Artes, Música, etc. Então o professor poderá lecionar apenas nessas áreas. Salvo alguns casos excepcionais, como cidades em situações de extrema carência de profissionais, que acabam pegando professores para ensinarem matérias que não são suas respectivas especialidades.
Fiz essa introdução toda acima para tentarmos, ao longo do texto, entender porque certas bizarrices acontecem em nossas escolas. Uma das que percebo quase sempre é algo chamado "progressão continuada", mas que ficou popularmente conhecida como "aprovação automática", que significa isso mesmo que o nome indica. O aluno não será reprovado, mesmo que todas as evidências mostrem que ele não tem a mínima condição de seguir em frente. Na realidade esse caso mostra muito mais sobre a preguiça de se aprofundar em certos métodos, do que um caso de irresponsabilidade, quem quiser entender preguiça e irresponsabilidade como palavras afins, não façam cerimônia.
O fato é que existem mesmo vários trabalhos acadêmicos, estrangeiros claro, sobre esse tema. Um dos teóricos que podemos utilizar para ficarmos numa fonte que conheço bem, o Philippe Perrenoud, estabeleceu uma mudança radical na dinâmica em salas de aula. E uma das ideias dele consiste justamente em dividir os anos escolares em ciclos que podem ser de 2 em 2 anos, 3 em 3 anos, desde que em tempos iguais, somente ao final desses ciclos o aluno seria avaliado como elegível ou não para o ciclo seguinte. Mas a rigor não quer dizer que ele não sofrerá nenhuma detenção nesse meio tempo. Isso porque a grande diferença dessa concepção não esta aí, no fato do aluno ser simplesmente aprovado, alias o aspecto da aprovação vem a ser, a meu ver, o menos importante disso tudo. Mas antes que eu siga explicando a base do método, farei uma breve explanação sobre a relação de ensino-aprendizagem.
Muitos já ouviram algo como "não há ensino, sem aprendizagem", "ensinando é que se aprende", o que parece importante, já que muitas vezes temos ambas as coisas simultaneamente, mas para efeito da minha demonstração devemos separar por algum momento esses conceitos. A pedagogia tradicional costumava centralizar seus esforços no ensino, nessa condição o grande protagonista é a figura do professor, e este deveria dar brilho, caprichar bastante na sua oratória para expor o conteúdo da aula de maneira que ele pareça bastante claro para os alunos, é a chamada aula expositiva, o professor fala, os alunos anotam, copiam, e raras vezes se sentiam à vontade de tirar alguma dúvida, ou mesmo fazer algum questionamento sobre a exposição do professor. Com o desenvolvimento da Psicologia Cognitiva, os pesquisadores passaram a se preocupar em entender o que faz uma criança aprender. Veja que esses professores antigos jamais pensariam nesse problema. Nunca se perguntavam se os alunos estavam efetivamente aprendendo. Para eles seria um desrespeito pensar que a aula maravilhosa dele não faria o aluno aprender. Afinal alguns alunos tiravam boas notas, quem tirasse nota baixa, não é inteligente o suficiente, não é esforçado. E outras acusações do tipo. Na realidade era um sistema que premiava o esforço. Pois muitas vezes o famoso aluno esforçado não havia entendido a aula, mas como era responsável e estudioso, não saía do quarto até aprender alguma coisa. Mas preocupação com os alunos mais "fracos", o professor não tinha mesmo. Foi essa a grande mudança que as Ciências Cognitivas trouxeram para a pedagogia. Não nos interessamos mais na forma como o professor ensina, queremos entender como é que os alunos aprendem. Todos são capazes de aprender? Parecia que sim, o que provavelmente precisamos fazer é apertar os botões corretos do cérebro de cada aluno. Aprender o mapa do aprendizado, essa parecia ser a chave do problema.
O que nos traz de volta ao Perrenoud, ele concluiu que sempre que pensarmos a Educação e a Pedagogia em termos de conteúdo, o professor jamais sairá do palco central, lembrando que é o professor que detém o conteúdo, ele o transfere generosamente aos alunos, se eles não aprendem é uma injustiça total. Perrenoud pensou, o que os alunos devem se tornar? A palavra que surgiu foi competência, imagino que estejam percebendo a diferença. A ideia não é mais fazer o aluno assimilar um conteúdo, é fazê-lo competente no trato com aquela área do conhecimento. Então ele definiu o que seria um conjunto de competências desejáveis a serem adquiridas naquele ciclo, os tais ciclos que falei acima, e cada competência seria conquistada, sim, a ideia é de conquista, seria trabalhada na forma de aulas problemas. As aulas funcionariam como aquelas reuniões de brainstorm, onde todos participam na solução dos problemas propostos. Há exemplos nos livros dele de atividades até curiosas e desafiadoras, como escrever uma redação inteira sem usar uma única palavra que contenha uma letra qualquer, tipo eliminar a letra E. Como os alunos farão esse trabalho? A solução deve sair dos próprios alunos. Depois os trabalhos seriam lidos para a classe, haveria a exposição da maneira que eles usaram para resolver esse problema. O objetivo dessa atividade seria desenvolver a competência de escrita e vocabulário. Nada parecido com isso é feito nas escolas brasileiras, como já devem estar percebendo. E dizer que o aluno seria aprovado sem mais nem menos é um absurdo, no caso dessa atividade, se algum aluno não obtiver os resultados esperados, vejam que o objetivo da atividade é claro, fácil saber se houve sucesso ou não, no caso de o aluno não conseguir ele vai repetir a atividade, ou seja ele repete a competência, mas suponhamos que esse mesmo aluno, foi ótimo em outra atividade, tipo alguma ligada a uma competência de Matemática, daí sim ele segue adiante. O importante que ao longo do ciclo o aluno chegue ao final dominando todas as competências necessárias da etapa em questão.
Quais as conclusões que podemos extrair disso tudo? Que para tudo isso funcionar daria um trabalho danado, deveria haver uma seleção mais rigorosa das competências que são realmente indispensáveis aos alunos, pois cada competência dessa levará um número maior de aulas para serem trabalhadas. O professor deverá estabelecer prazos e planejamentos mais concretos, não podemos cair no laissez faire. Ou seja, tanto professores quanto alunos deverão trabalhar muito mais para a coisa funcionar. As classes deverão conter menos alunos, a maioria das atividades seriam feitas em grupos, e posteriormente todas debatidas com todo mundo. As notas devem ser dadas todos os dias, provas bimestrais, semestrais estariam abolidas, já que todas as atividades funcionam como provas, até um espirro é avaliado. Isso é interessante pois o professor pode identificar o exato momento em que o aluno apresenta a dificuldade que esta atrapalhando o progresso, e atacar esse problema em tempo real, não depois de 2 meses de problemas acumulados. Outra consideração a fazer sobre o que Perrenoud entende por competência é que alem de você ter domínio das que você trabalhou junto dos colegas e professores, o aluno deve ser capaz de extrapolar aqueles conceitos para outras situações diferentes, coisa que não acontece numa abordagem conteudista.
No geral é bastante atraente essa ideia quando tomamos conhecimento das partes mutiladas, eu especialmente até gosto bastante. E não aguento ver gente distorcendo ideias por puro oportunismo, seja de ordem política, seja por preguiça e desonestidade intelectual, e é claro que como nem todos os cidadãos estudam Licenciatura na faculdade, acabam não entendendo de onde surgem certas ideias. E criticam com toda razão. Não existe essa bizarrice que implantaram em nossas escolas. É claro que ainda há muito mais coisa a falar sobre metodologia de Perrenoud, mas vou deixar para um post futuro. Acho que as informações que deixei aqui já atendem a necessidade de pelo menos mostrar o outro lado dessa questão. Não acho que um aluno deva ser reprovado sumariamente, muitas vezes por causa de uma única matéria. Mas isso tem uma distância enorme em relação a passar de ano sem saber nada. Nesse caso temos as retenções, essa deve ser aplicada sim. Claro.
sexta-feira, 24 de janeiro de 2014
Palavrão: um pequeno insight.
Não é de hoje que sinto necessidade de terapia, as razões que me levam a isso não cabem aqui nesse texto, pode ser que eu explore melhor numa outra oportunidade. O que trago aqui é compartilhar umas impressões que tive nessas experiências, sobretudo essa última tentativa. Penso que qualquer um que já tenha passado por quase uma dezena de terapeutas, e quase o mesmo número de linhas terapêuticas sabe que nem sempre as relações entre terapeutas e pacientes são as mais harmônicas, as mais produtivas. Alguns conseguem nos conectar com nossas essências, outros parecem querer fabricar essa essência, colocam palavras nas nossas bocas, forçam importância a uma determinada frase que não proferimos com esse tom de destaque todo. É basicamente isso que estava acontecendo com essa minha terapeuta mais recente, meu namorado já havia sentido que havia problemas nesse jeito de proceder a terapia. Mas eu, por ser uma pessoa de pagar pra ver, dar chances pro outro se mostrar melhor, fui ficando nessa terapeuta, até que algo pareceu me despertar pra inutilidade de insistir nessa abordagem, há uma série de coisas que preciso resolver em relação aos meus fantasmas? Claro que há. Mas existe algo que uma abordagem mais pragmática será mais útil? Sim, eu preciso acreditar nisso.
Há umas 2 semanas me coloquei em marcha pra ir atras de outro tipo de ajuda, liguei pra essa terapeuta pra dizer que estava saindo do processo, que precisava cuidar de outras coisas, e que não iria mais lá. Mas ela tentou insistir em marcar um encontro pra discutir a minha decisão. Num primeiro momento até me pareceu justo. Mas a medida que o encontro se aproximava, minha vontade de mandar a mulher tomar no cu, sim, mandar um lindo e sonoro VAI TOMAR NO CU, aumentava exponencialmente. Falei sobre isso com meu namorado. Ele disse que não parece uma forma racional de tratar o assunto, concordo. Mas ao mesmo tempo esse trecho da conversa ficou martelando na minha cabeça, e pego-me refletindo sobre a natureza do palavrão.
Não gosto de negar que somos todos animais, o que costumamos conseguir no máximo é sublimar ou recalcar nossos instintos, não conseguimos neutralizá-los totalmente, do contrário acho que seríamos menos raivosos uns com os outros, até mesmo as emoções mais nobres, como o próprio amor, teriam outro nível de compreensão e manifestaríamos de um jeito diferente do que conhecemos isso tudo. Acho que sentimentos e emoções são nossas conexões animalescas. A diferença é que nossa espécie gosta tanto de ser especial, que criamos a linguagem, provavelmente os animais sentem amor da mesma forma que sentimos, mas nós demos nome a isso que sentimos e chamamos de amor. Uma forma de racionalizar algo que pertence às emoções. Ok, Zoe, mas onde entra o palavrão nisso tudo?
Fiquei pensando que o palavrão não chega a ser algo tão tosco assim. Em relação a minha atual ex-terapeuta, mandar "tomar no cu" não deixa de ser uma estrutura complexa, diante da raiva que eu estava sentindo acho que conseguir pensar numa frase, "vai tomar no cu", com uma construção sintática completa, verbo, sujeito "você" nesse caso elíptico, predicado, é ou não é uma frase sintaticamente completa? O que é questionável nos palavrões em geral é se seriam apropriados aos contextos de uso. Até perguntei ao meu namorado se ele preferia que eu lançasse um grunhido, aí sim minha animalidade estaria manifesta de maneira mais evidente, na realidade eu mando as pessoas tomarem no cu pra não ter que grunhir, ou rugir como os leões.
Nossa espécie é tão estranha que até pra xingar somos gramaticais. É apenas algo que me ocorreu.
Há umas 2 semanas me coloquei em marcha pra ir atras de outro tipo de ajuda, liguei pra essa terapeuta pra dizer que estava saindo do processo, que precisava cuidar de outras coisas, e que não iria mais lá. Mas ela tentou insistir em marcar um encontro pra discutir a minha decisão. Num primeiro momento até me pareceu justo. Mas a medida que o encontro se aproximava, minha vontade de mandar a mulher tomar no cu, sim, mandar um lindo e sonoro VAI TOMAR NO CU, aumentava exponencialmente. Falei sobre isso com meu namorado. Ele disse que não parece uma forma racional de tratar o assunto, concordo. Mas ao mesmo tempo esse trecho da conversa ficou martelando na minha cabeça, e pego-me refletindo sobre a natureza do palavrão.
Não gosto de negar que somos todos animais, o que costumamos conseguir no máximo é sublimar ou recalcar nossos instintos, não conseguimos neutralizá-los totalmente, do contrário acho que seríamos menos raivosos uns com os outros, até mesmo as emoções mais nobres, como o próprio amor, teriam outro nível de compreensão e manifestaríamos de um jeito diferente do que conhecemos isso tudo. Acho que sentimentos e emoções são nossas conexões animalescas. A diferença é que nossa espécie gosta tanto de ser especial, que criamos a linguagem, provavelmente os animais sentem amor da mesma forma que sentimos, mas nós demos nome a isso que sentimos e chamamos de amor. Uma forma de racionalizar algo que pertence às emoções. Ok, Zoe, mas onde entra o palavrão nisso tudo?
Fiquei pensando que o palavrão não chega a ser algo tão tosco assim. Em relação a minha atual ex-terapeuta, mandar "tomar no cu" não deixa de ser uma estrutura complexa, diante da raiva que eu estava sentindo acho que conseguir pensar numa frase, "vai tomar no cu", com uma construção sintática completa, verbo, sujeito "você" nesse caso elíptico, predicado, é ou não é uma frase sintaticamente completa? O que é questionável nos palavrões em geral é se seriam apropriados aos contextos de uso. Até perguntei ao meu namorado se ele preferia que eu lançasse um grunhido, aí sim minha animalidade estaria manifesta de maneira mais evidente, na realidade eu mando as pessoas tomarem no cu pra não ter que grunhir, ou rugir como os leões.
Nossa espécie é tão estranha que até pra xingar somos gramaticais. É apenas algo que me ocorreu.
quinta-feira, 28 de novembro de 2013
O Ateu Virtuoso: outro comentário de livro.
Antes de falar sobre o livro dessa semana, devo falar um pouco sobre minha relação com livros. Uma característica minha é a necessidade de não ficar em apenas um livro do autor, principalmente quando eu gosto desse primeiro contato com a escrita dele. Foi assim com Nietzsche, com Voltaire, Bertrand Russell, Schopenhauer, Kafka, Camus e muitos outros. Paulo Jonas de Lima Piva agradou-me muito com o Ateísmo e Revolta, o qual falei no post anterior. Nesse livro ele chegou a citar um outro livro escrito por ele. E acabei encontrando esse livro a venda numa livraria da UERJ. Sempre que vou a uma universidade procuro saber se há livrarias, alias adoro livrarias.
O Ateu Virtuoso, se eu não estou enganada, foi adaptado da tese de doutorado do autor. Ele tem como subtítulo Materialismo e Moral em Diderot, isso significa que o livro alem de discorrer sobre a vida e obra de Diderot, ele trava uma discussão sobre a necessidade (no caso não-necessidade) de Deus na construção da moralidade.
Para o autor, Diderot visita esse tema de maneira sistemática em sua obra. Alias o tema da moralidade parece ser muito caro ao pensador francês. A exemplo do Ateísmo e Revolta há uma análise dos vários aspectos da obra de Diderot, assim como uma descrição muito interessante do reflexo que sua obra e suas ideias influenciaram o Iluminismo francês, a atuação dele como um enciclopedista, afinal é basicamente impossível falar de Iluminismo sem mencionar a Enciclopédia e os enciclopedistas. Ele volta a falar em certos momentos de Jean Meslier, fala dos libertinos. Vale lembrar que o termo libertino nessa época não tinha conotações exclusivamente sexuais. O conceito da palavra estendia-se a toda liberdade irrestrita de pensamento. Nesse sentido os pensadores ateus eram também chamados de libertinos. Afinal era uma forma de pensar livre, e desafiava o status quo.
Depois dessas considerações históricas e filosóficas sobre Diderot, segue uma análise de cada livro escrito por ele, e como ele trata o materialismo e a moral neles. Como esses livros, alguns em forma de ensaio, outros em forma de romances, dialogam com obras de outros autores da época e até mesmo anteriores. Alguns são de temática sexual. Outros falam sobre religião, mas mostrando que nesse contexto a moralidade é bastante questionável. Compara alguns romances desses com a obra do Marquês de Sade. Dá muita vontade de sair comprando tudo que é livro de Diderot.
Ele também menciona a relação de Diderot com Catarina II da Rússia, nesse aspecto o livro chama atenção pro fato de filósofos eventualmente aconselharem figuras despóticas, como foi o caso de Aristóteles e Alexandre o Grande, e Sêneca com Nero. Diderot a princípio era contra, pois achava que filósofos não tinham que se meter, mas depois mudou de ideia, acreditando que assim poderia fazer que essas pessoas fossem mais esclarecidas.
São muitos detalhes levantados nesse livro, não é possível comentar todos os aspectos nesse post. Afinal isso não se propõe a ser um mega ensaio, o objetivo é falar sobre um livro que gostei, e ajudar a ampliar a bibliografia sobre ateísmo. Esse livro vale muito a pena.
sexta-feira, 22 de novembro de 2013
Ateísmo e Revolta: um pequeno comentário (espero que dessa vez sem bug)
Dentro da crescente bibliografia sobre ateísmo, um livro chamou-me bastante atenção. Não é dos livros mais citados e comentados sobre o tema, talvez por isso resolvi escrever algumas linhas sobre. Eu o encontrei por acaso numa estante de Filosofia na livraria Prefácio no Rio de Janeiro. O título é justamente Ateísmo e Revolta, o autor é Paulo Jonas de Lima Piva. Pode-se encontrar informações sobre ele nesse link(aqui).
O livro fala sobre um personagem da história do ateísmo bastante improvável. Um padre, e sim, esse padre era ateu. Trata-se de Jean Meslier. Confesso que adorei saber que esse homem existiu. Pra falar a verdade, se não fossem algumas informações contidas na capa e na orelha do livro, não seria pelo título que eu resolvi compra-lo. Mas já na capa esta escrito que o livro fala do padre ateu. E como ele influenciou a noção atual do ateísmo.
Jean Meslier nasceu em Mazerny em 15 de junho de 1664 e morreu em Étrépigny em 17 de junho 1729, estes dados mostram que ele esta inserido no contexto do Iluminismo francês. Ele levou uma vida normal de sacerdote católico numa aldeia francesa. Cumprindo com seus deveres, realizava missas, pregava como todo padre. Mas na intimidade escrevia um diário, nesse diário ele falava abertamente sobre sua descrença, escrevia coisas sobre Deus e Jesus que fariam muitos ateus de hoje corar. Falava da repulsa que ele sentia do clero e da aristocracia. O que também o aproxima politicamente do comunismo e do anarquismo, dependendo da fonte que se lê a respeito desse padre. Este diário tinha por objetivo pedir desculpas póstumas aos frequentadores de sua igreja por ter mentido sobre a existência de Deus. Tudo que ele proferia seria mentira. E mostrava argumentos fortes contra a existência desse Deus. Um dos primeiros filósofos a ter acesso a esses manuscritos foi justamente Voltaire, mas ao editar o diário, que foi publicado com o nome de Testamento de um Padre de Aldeia, o fez disfarçando dando a impressão de que Meslier seria um deísta aos moldes de Spinoza. Mas ainda bem que a História mostrou a verdade desse caso.
Em Ateísmo e Revolta, Paulo Jonas destrincha cada detalhe desse homem, mostra os tais argumentos usados por Meslier para demolir a existência de Deus. Mostra as influências filosóficas desse pensador inusitado. Mostra como ele era original em suas ideias. E como ele influenciou pensadores até mesmo do porte do Diderot. E não esquecendo de Voltaire também. A ponto de uma frase super famosa que costuma ser atribuída ou a Diderot ou a Voltaire, na realidade ser de autoria do padre.
A frase é essa:
‘Eu gostaria, e este será o último e o mais ardente dos meus desejos, eu gostaria que o último rei fosse estrangulado com as tripas do último padre’
Na realidade Diderot a usou com uma leve mudança, e foi assim que a frase chegou até os dias de hoje.
o homem só será livre quando o último rei for estrangulado com as entranhas do último padre”
O livro Ateísmo e Revolta provavelmente não é tão fácil de ler, ele segue um padrão mais acadêmico no texto, mas ao mesmo tempo o autor tem tanto carinho pelo personagem, que ele prima pela clareza do texto, não permite que a formalidade ofusque o brilho do personagem comentado. O livro também compara autores contemporâneos e levemente posteriores que também contribuíram para a História do ateísmo. Barão d' Hollbach, Marquês de Sade, Feuerbach e muitos outros.
Meslier também é citado no excelente livro Tratado de Ateologia de Michel Onfray. Posso vir a escrever sobre esse outro livro numa outra oportunidade.
Espero ter contribuído de alguma forma com esse pequeno texto.
quinta-feira, 7 de novembro de 2013
O Cartório do Kafka.
Apesar de não ter criado esse blog para falar de assuntos pessoais, já é a segunda que o faço. Mas acho importante descrever o que se passou nesse mês. O assunto anterior foi um problema com o banco, agora o problema foi um cartório. Creio que é interessante compartilhar isso, pois se alguém se identificar com o problema poderá exercer sua crítica também.
O problema começou quando minha mãe me liga da cidade onde eu morava antes de vir para São Carlos (SP). Eu morava numa casa que esta sendo utilizada pela minha irmã como consultório. Então, o problema foi a conta astronômica de luz do imóvel. Haveria a necessidade de parcelar, ou entrar com um processo por grande possibilidade de contagem errada do relógio. A conta de luz ainda esta no meu nome, minha irmã a usuária não poderia resolver isso sem uma procuração minha. Então fui ao cartório providenciar o tal documento. Isso foi há um pouco mais de 1 mês. Só hoje pude pegar a procuração no cartório.
Já morei em outras cidades antes dessa, já tive que fazer procuração por um motivo ou outro, e geralmente em 1 ou 2 dias eu recebia o documento e estava tudo certo. Nunca vi um caso de demora como esse. O atraso segundo o rapaz que me atendeu, recolheu as informações e redigiu a procuração, foi por causa do tabelião que tinha que conferir a procuração, e pelo volume de papel na mesa dele a minha tinha que esperar a vez. Depois da liberação do tabelião vinha a etapa que eu tinha que assinar o documento. Cheguei no cartório na sexta-feira da semana passada, e tive que esperar o rapaz ler as quatro páginas do referido documento. Sim, ele leu na íntegra. Depois seguiu-se quase 1 hora do rapaz entrando e saindo de salas até imprimir a procuração num papel oficial timbrado. Até que eu pudesse assinar e pagar pela procuração, o custo ficou em 154,00 reais. Não sei se em outras cidades o preço é esse mesmo. Mas achei caro. Problema resolvido? Não, claro que não. O documento teria que voltar ao tabelião para ele assinar, havia a promessa da liberação no mesmo dia, mas não foi isso que aconteceu. Enquanto isso minha mãe pressionando, e eu pressionando o cartório. Mas uma vez Kafka entra na minha vida.
Nesse processo todo descobri que apenas 2 cartórios atuam nessa área na cidade. Há um terceiro que atua apenas em registro de imóveis, pelo que o taxista que me levou ao cartório me falou a coisa parece uma máfia, e como são poucos cartórios na cidade os funcionários abusam muito do poder que têm e fazem as pessoas esperarem muito mesmo.
Finalmente a procuração já esta nas minhas mãos ainda tenho que enviar pelo Sedex. Nisso a luz lá já foi cortada. Por via das dúvidas pedi pra fazer uma procuração mais abrangente possível, espero não ter que fazer outra tão cedo enquanto estiver morando aqui.
O problema começou quando minha mãe me liga da cidade onde eu morava antes de vir para São Carlos (SP). Eu morava numa casa que esta sendo utilizada pela minha irmã como consultório. Então, o problema foi a conta astronômica de luz do imóvel. Haveria a necessidade de parcelar, ou entrar com um processo por grande possibilidade de contagem errada do relógio. A conta de luz ainda esta no meu nome, minha irmã a usuária não poderia resolver isso sem uma procuração minha. Então fui ao cartório providenciar o tal documento. Isso foi há um pouco mais de 1 mês. Só hoje pude pegar a procuração no cartório.
Já morei em outras cidades antes dessa, já tive que fazer procuração por um motivo ou outro, e geralmente em 1 ou 2 dias eu recebia o documento e estava tudo certo. Nunca vi um caso de demora como esse. O atraso segundo o rapaz que me atendeu, recolheu as informações e redigiu a procuração, foi por causa do tabelião que tinha que conferir a procuração, e pelo volume de papel na mesa dele a minha tinha que esperar a vez. Depois da liberação do tabelião vinha a etapa que eu tinha que assinar o documento. Cheguei no cartório na sexta-feira da semana passada, e tive que esperar o rapaz ler as quatro páginas do referido documento. Sim, ele leu na íntegra. Depois seguiu-se quase 1 hora do rapaz entrando e saindo de salas até imprimir a procuração num papel oficial timbrado. Até que eu pudesse assinar e pagar pela procuração, o custo ficou em 154,00 reais. Não sei se em outras cidades o preço é esse mesmo. Mas achei caro. Problema resolvido? Não, claro que não. O documento teria que voltar ao tabelião para ele assinar, havia a promessa da liberação no mesmo dia, mas não foi isso que aconteceu. Enquanto isso minha mãe pressionando, e eu pressionando o cartório. Mas uma vez Kafka entra na minha vida.
Nesse processo todo descobri que apenas 2 cartórios atuam nessa área na cidade. Há um terceiro que atua apenas em registro de imóveis, pelo que o taxista que me levou ao cartório me falou a coisa parece uma máfia, e como são poucos cartórios na cidade os funcionários abusam muito do poder que têm e fazem as pessoas esperarem muito mesmo.
Finalmente a procuração já esta nas minhas mãos ainda tenho que enviar pelo Sedex. Nisso a luz lá já foi cortada. Por via das dúvidas pedi pra fazer uma procuração mais abrangente possível, espero não ter que fazer outra tão cedo enquanto estiver morando aqui.
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