terça-feira, 10 de fevereiro de 2015

Ainda Sobre o Edifício Joelma

No texto anterior eu falei rapidamente sobre o acidente. E claro fui pegando um pouco de cada aspecto observado no documentário. Nesse texto pretendo focar um pouco mais em alguns pontos que ficaram de fora no texto anterior.

Fiquei pensando muito no caso das 13 Almas, só pra recapitular trata-se das 13 pessoas que nunca foram identificadas. Elas fugiram todas pelo elevador. E até hoje, pelo visto ninguém reclamou os corpos, nunca fizeram uma investigação pra saber quem são? E elas todas estão em túmulos anônimos no cemitério, na mesma ala, e uma lado a lado da outra, assim como uma capela foi construída em memória delas. Tudo muito misterioso.

Então, ninguém apareceu dizendo que um desses 13 corpos pode ser de um irmão? De um pai? Uma tia? Como 13 pessoas morrem num acidente conhecido, e ninguém aparece pra revindicar um parentesco? 

Quanto a isso, consegui obter uma explicação plausível, essas pessoas podem ser imigrantes, morando longe de suas famílias, numa época de pouca comunicação. Ser imigrante naquela época deveria ser mais complicado que hoje. Ótimo. Quanto a isso temos uma hipótese razoável. 

Mas voltando ao aspecto espiritual do assunto, como foi falado, a Volquimar a moça de família espírita continua se comunicando com a família, o médium Chico Xavier entrou no caso e tudo.
Nisso entra o comentário genial do neurocientista. 

Ele disse que este caso estamos falando de uma família que acredita, já possui predisposição pra acreditar, a identidade da moça é conhecida, houve reconhecimento do corpo, então até mesmo alguém sem dons poderia alegar ter entrado em contato com ela. Ainda mais pelo que deu a entender no documentário, a família nunca manteve essa história oculta da mídia, autorizando até a execução de um filme sobre ela. E as 13 Almas?

O neurocientista disse que se de repente um médium aparecesse, e dissesse que conseguiu entrar em contato com pelo menos uma delas, descoberto um nome, e que essa história fosse corroborada com alguns registros, tipo a menção de um parente vivo, que pudesse confirmar a vidência, aí sim poderíamos começar a levar o caso mais a sério. Sim, os médiuns estão perdendo uma ótima chance de provar suas habilidades nesse caso.

Que tal lançar esse desafio? Aprovado?

domingo, 8 de fevereiro de 2015

Edifício Joelma e Espiritismo.

O incêndio do Edifício Joelma é bastante conhecido dos brasileiros, e provavelmente do resto do mundo também. A tragédia foi de grandes proporções. Ainda mais que mesmo sendo um prédio comercial, o incêndio começou quando as pessoas já estavam trabalhando ali. Isso resultou em mais de 100 mortes, e mais umas centenas de feridos. Muito triste.

Até aí eu já tinha conhecimento, mas hoje vendo as minhas sugestões do YouTube, deparei com um documentário sobre a tragédia, a produção ficou a cargo do programa Linha Direta da Globo. Acabei abrindo pra ver. Afinal eu gosto ver o que tem a ser dito sobre o assunto. Mas diferente de ver algo como explicação técnica do acidente, como as pessoas receberam o impacto da notícia, ou seja, qualquer tipo de informação que verdadeiramente acrescenta algo pra compreensão do impacto do evento.

Fiquei surpresa ao ver que o documentário acabou virando uma narrativa sobre maldições. Sim, maldições. 

A narrativa começa contando a história da casa que ficava no terreno antes, conta que havia um professor que morava na casa junto com a mãe e duas irmãs, esse professor acabou matando a mãe e as irmãs, atacado pela culpa se matou. Isso foi contado provavelmente pra explicar que ali já havia energias negativas. Depois a escolha das pessoas que dariam os depoimentos, uma mãe espírita de uma das vítimas fatais, uma monja budista, um radiestesista, um editor de jornal espírita, e um neurocientista, este, uma voz solitária de racionalidade. Humm!! Já ia esquecendo, um funcionário de um cemitério também participou.

Vou mostrar o que estariam fazendo essas pessoas no documentário.


O funcionário do cemitério se liga à essa história por causa de 13 vítimas nunca identificadas, essas 13 pessoas cometeram o erro de correr pro elevador, não sei se naquela época já havia instruções de não pegar elevador nesses casos, mas provavelmente entraram no elevador deixando pra trás documentação, pertences, e consequentemente suas histórias. No cemitério foram todos enterrados em túmulos anônimos lado a lado. O funcionário conta que ele costumava ouvir gritos, que eram acalmados no momento que ele jogava água nos túmulos, hoje pessoas fazem visitas e pedidos que juram ser atendidos.

A mãe espírita serviu pra contar a história dos encontros espirituais com a filha morta, que ela conversa com ela, e pra mostrar um evolvimento do Chico Xavier no evento, mais uma vez ele psicografou uma carta dessa moça, a Volquimar ( que nome pra se dar a uma filha), e pela 4ª vez eu vejo alguém psicografado tratar a mãe como "mamãezinha querida". Sei não, acho artificial esse tipo de tratamento, mas o fato é que esse foi o ponto alto do sensacionalismo do caso. Uma vez que onde estão as outras histórias? Então, fica claro que essa história é a que mais vende. 


O radiestesista, o editor da revista espírita, a monja budista fizeram depoimento pra explicar a natureza espiritual de todo o evento. Ou seja, praticamente transformaram numa espécie de Amityville brasileiro, e houve alegação que as vítimas já estiveram envolvidas na Inquisição na reencarnação passada, como assim? Então as pessoas sofrem numa vida, e continuam sofrendo em outras, acho bastante perverso esse tipo de raciocínio. 


Apesar do neurocientista ter dado umas boas pinceladas de ceticismo nessa história toda, duvido que a média das pessoas que assistiram a esse documentário deram bola pro que ele disse. É provável que um Chico Xavier tenha mais "valor" do que um cientista. Ainda estou verdadeiramente surpresa de conhecer essas histórias.

Quem quiser pode ver o documentário nesse link (https://www.youtube.com/watch?v=fD3zrjCaqoc)

Gostaria muito que esse texto pudesse gerar um debate sobre o caso, e que outras pessoas escrevam sobre isso. Ou quem sabe alguns vídeos.


segunda-feira, 17 de novembro de 2014

Criacionismo nas escolas. Pode isso?

Antes de eu responder essa questão, preciso esclarecer que há muito tempo não tenho mais paciência pra discutir política e religião. Mas fico terrivelmente indignada quando esses dois assuntos mexem diretamente com a Educação, bem como a formação de crianças e adolescentes. Sou professora que atua nas áreas de humanas, e mesmo não sendo bióloga repudio frontalmente qualquer tentativa de contrabandear, sim gosto de termos fortes, conteúdo de caráter religioso ou mesmo ideológico nas aulas de ciências. Como é o que o deputado Marco Feliciano ( fiquei arrepiada só de ter que escrever o nome dele) pretende fazer com um projeto de lei.

Mas por que sou contra?

Minha maior preocupação é claro com a Educação, e é evidente que todos sonham com uma Educação de qualidade nas escolas, que é sabido que a Educação é a principal ferramenta que dispomos para o progresso e o desenvolvimento de um país. Basta ver os países de primeiro mundo, eles estão nessa posição não por acaso e sorte, eles estão lá porque investiram em Educação. Simples assim.

Mas seria qualquer Educação? Não, óbvio que não. Na grande parte dessa Educação de qualidade, a que verdadeiramente serve de alavanca para o desenvolvimento, esta a ênfase no conhecimento científico e tecnológico, já que são esses conhecimentos que geram recursos para que um país seja efetivamente independente. Se fôssemos pródigos nesses conhecimentos, muito provavelmente, não teríamos que importar smartphones do exterior, teríamos condições de produzir essa tecnologia aqui mesmo. Até mesmo a agricultura, que é nossa principal fonte de riquezas, depende de grande conhecimento científico para produzir alimentos. Não é possível atender a uma demanda de milhões de habitantes aqui no país, e bilhões pelo mundo, com agricultura primitiva, precisamos de cada vez mais máquinas pra dar conta de todo o processo, desde o plantio até a colheita e posteriormente a distribuição.

Simplesmente não dá pra colocar criacionismo e ciências no mesmo patamar, não estão, ainda mais quando pensamos no quanto estamos atrasados, os índices internacionais estão há anos nos colocando entre os últimos colocados em Educação. E conhecimento científico esta entre os fatores avaliados nas provas. Como os alunos poderão competir assim? Com os conteúdos cheios de ambiguidades? Até mesmo para a questão ambiental temos que investir pesado em ciências, veja o que esta acontecendo aqui no Estado de São Paulo, onde moro. Temos uma seca, ao que parece, das piores em décadas. Tivéssemos uma população mais bem educada e preparada, mais sensível aos problemas ambientais e mais estrutura pra lidar com isso tudo.

Espero que com esse texto eu possa contribuir de alguma maneira com essa questão. Não fiz uma crítica clara ao projeto, mostrando onde ele esta errado, preferi focar na importância do conhecimento científico para a sociedade. Minha preocupação sempre será com a Educação. E só acredito numa Educação se ela trouxer uma sociedade melhor, menos injusta, e que nos traga ferramentas para o desenvolvimento do país.

sábado, 5 de julho de 2014

Gatos II

Adoraria que esse texto fosse mais um falando das inúmeras qualidades dos gatos, mas o que me traz de volta a escrever sobre esses animais fantásticos foi uma notícia que eu li. Isso foi numa quinta feira, num post da jornalista Cora Rónai, que como muitos sabem é apaixonada por gatos.

A notícia foi essa aqui: http://g1.globo.com/rio-de-janeiro/noticia/2014/07/prefeitura-do-rio-retira-gatos-de-sua-sede-sob-protesto-de-ongs.html. Nem vou editar esse link, pois prefiro que já tenham ideia do que se trata.

Bom, eu acho até que todos os gatos deveriam ter um lar, e viver cercados de amor, pois eles adoram carinho, e são extremamente carinhosos também, vale muito a pena ter um gatinho em casa, até hoje nunca me arrependi de nenhuma gata que tive em minha vida. Mas infelizmente nem todos os gatos têm essa sorte de ter um lar, ser adotado, e muitos não seriam elegíveis a adoção também. E o que acontece, então com eles? Ficam nas ruas, mas normalmente eles acabam elegendo parques e jardins públicos pra montar pequenas colônias, e lá acabam se reproduzindo. O que pode vir a incomodar algumas pessoas, e preocupar outras. Mas não é de hoje que um grupo de pessoas, e entidades observaram essa situação e resolveram se movimentar pra minimizar os possíveis transtornos.

São ONGs, pessoas que se preocupam e vão lá fazer alguma coisas, protetores que já montaram um esquema parecido com uma rede de atuação nas cidades. O que eles fazem é basicamente o que um proprietário responsável faz pelos seus gatos domésticos, só que essas pessoas resolveram fazer por todos os gatos de rua que encontram, isso inclui vacinação, vermifugação, e castração. E claro dão comida e muito amor. Ou seja, os gatos não oferecem riscos a ninguém, já que as providências pra evitar epidemias são tomadas, e a castração cuida para que essa população não aumente, e se aumentar, temos que levar em conta o número de gatinhos abandonados pelos donos também.

Depois dessa introdução de esclarecimento, sobre o que esta acontecendo, e como essa medida afeta a vida dos gatos, já que como esta dito na matéria eles serão encaminhados a gatis, e isso se muitos não forem mortos nesse processo de remoção. Agora falo o que eu penso dessa história. Digo logo de cara, estragou meu dia.

Eu, como escrevi num post anterior, amo gatos, tive 4 gatas, e teria tido bem mais do que isso se eu tivesse morado sempre em lugares que fossem permitido animais. Então, fiquei muito tempo sem poder ter um gatinho por perto. E quem gosta sente falta de ter um, ou vários. E eram justamente esses gatos de parques, praças e jardins públicos que satisfaziam minha carência. Cheguei a fazer amizade com uma gata que sempre ficava no pátio de um condomínio perto da minha casa. Ela já me reconhecia, eu sempre que passava em frente ao prédio tirava uma horinha pra brincar com ela, fazer uns carinhos, e durante um tempo a considerei minha melhor amiga, mesmo não sendo a minha gata. Fico pensando que muita gente pode ter esse tipo de convivência com os gatos. Muito provavelmente a única forma que essa pessoa pode se relacionar com os gatos, isso falando apenas das pessoas que passam em frente ao local e aproveitam pra curtir um pouquinho, fico imaginando as pessoas que investiram uma vida pra ajudar, deve ser um desespero.

Diferente do que muitos ainda devem pensar, gatos se apegam sim às pessoas com as quais eles convivem, eles sofrem de saudades, precisam de carinho, não estamos lidando com seres imunes ao sofrimento. Alem desse aspecto o prefeito com isso estará dando um tiro no pé, já que o mundo moderno espera que haja harmonia na convivência entre animais de rua e os humanos, que haja menos casos de envenenamentos de animais, que haja menos atropelamentos, menos maus tratos, a presença desses gatos nesses lugares acessíveis estimula essa convivência saudável. O recado que a prefeitura esta dando é que gatos são pragas, e que devemos nos livrar disso. Posso estar sendo crua, mas a realidade é essa, quem faz isso pensa exatamente desse jeito. Então é esse o valor que queremos passar às pessoas? Eu não, posso ter poucos leitores, mas mesmo assim não poderia deixar de me pronunciar sobre isso.

Chegou a circular uma petição pra evitar que isso fosse levado adiante, mas pelo visto não deve ter chegado a tempo, ou foi desconsiderada, mas estou na esperança que ainda seja possível fazer algo a respeito. E que isso não volte a acontecer em outros lugares, não apenas no Rio de Janeiro, como também em outras cidades que tenham esses animais comunitários. Que diferente de serem retirados, deveriam ser considerados patrimônios da cidade

segunda-feira, 26 de maio de 2014

Gatos

Quando pensei em criar esse blog pensei em escrever basicamente sobre ceticismo, o nome dele sugere isso, mas até agora não consegui manter uma unidade temática nas postagens, mas o que esperar de uma pessoa com interesses tão abrangentes? Um deles são gatos, adoro gatos. Acho que o mundo simplesmente ficaria bem mais feio sem eles, não só os domésticos como também os exemplares selvagens. Cada um mais lindo que o outro. Nesse sentido resolvi compartilhar como eles entraram na minha vida.

Sei que foi uma paixão tardia, já deveria estar com meus vinte e poucos anos, antes influenciada por séries como a Lassie e Rintintin, achava que cachorros eram os melhores, e a minha família chegou a ter cachorros, mas o interessante é que a paixão era concentrada na infância do animal, pois as raças envolvidas eram de grande porte, e mais tarde eram usados como proteção da casa, hoje não sei se gosto dessa visão utilitarista da coisa. Mas na época parecia normal. Afinal o Rintintin era até soldado, e sim, tivemos pastores alemães em casa. Até que mudamos pra apartamento, meu pai e minha mãe nunca mais pensaram em ter cachorros, nem daqueles pequenos. Nesse tempo meu pai morreu, meu irmão casou, ficamos só eu, minha mãe e minha irmã mais nova em casa. Foi aí que aconteceu de uma amiga da minha mãe nos dar de presente uma gatinha, era uma tigradinha meio cinza, não sei descrever a cor. Demos a ela o nome de Janis Joplin, simplesmente amamos. A  Lua uma mistura de persa com angorá, frajola, veio no dia da primeira consulta da Janis ao veterinário, fomos vacinar uma gata e voltamos com duas gatas pra casa. Foi impossível resistir à fofura extrema da Lua.

A Lua deu o golpe definitivo, o fatality, eu e minha irmã fomos contaminadas incuravelmente pela paixão pelos gatos. Que Lessie que nada, Garfileld é que reina absoluto. Comecei a ver os desenhos do Tom & Jerry, do Frajola e Piu- Piu de outra maneira, achando os gatos retratados de maneira muito injusta nesses desenhos. Tenho vontade de esganar o Piu- Piu. Ainda simpatizo com o Manda Chuva, pelo menos mostra um grupo de gatos tentando sobreviver do jeito que podem. Depois comecei a tomar consciência do tamanho do preconceito com eles. Que não são amigos, que gostam mesmo é da casa. Esse tipo de coisa.

Ledo engano, quem diz isso ou nunca teve um gato, ou se teve nunca se deu ao trabalho de prestar atenção aos sinais que eles emitem o tempo todo. Eles são super carinhosos, são meigos, dóceis, às vezes agitados, mas tudo é compensado com doses intensas de afeto, de fofura e amor. São ótimos amigos. Lindos.

Mas por que resolvi escrever sobre eles?

Semana passada uma gata californiana reacendeu essa discussão sobre o valor que os gatos dão aos donos, a gata simplesmente deu um chega pra lá num cachorro que estava atacando o filho dos donos. A gata ficou famosa no mundo inteiro. O vídeo que mostra a cena foi visualizado quase 20 milhões de vezes, a gata foi homenageada num jogo de beisebol. Virou heroína nacional praticamente. Mas antes disso já vi relatos de gatos que pularam em cima do dono que estava desmaiado numa tentativa de fazê-lo voltar a consciência, gatos que acordaram donos pra alertar de incêndios na casa. Ou seja, são relatos e mais relatos atestando as qualidades felinas. Falo felinas, pois já vi gestos de gratidão até mesmo de um leão, quem não conhece, procurem conhecer a história do leão chamado Christian, emocionante. Outro vídeo recente foi de um lince se desmanchando em carinhos por um garoto. Isso tendo em mente que são animais selvagens. Não domesticados. Ou seja, os gatos estão com tudo. Finalmente parece que história esta começando a fazer justiça a eles. A internet pelo menos já é deles. Reinam absolutos em vídeos, posts, memes e tudo mais.

Esse post é um agradecimento pela existência desses seres lindos e fofos, e uma homenagem às gatas que entraram na minha vida, e uma em especial que esta comigo agora, a Mimi, que de uma forma diferente ela salvou a minha vida, é por causa dela que acordo todos os dias. Ela que me dá forças pra continuar na luta. Antes eu acordava sempre de mau- humor, ver a carinha dela logo cedo isso não é mais possível. Amo até vê-la dormindo, ela parece sempre que esta fazendo algo pra me divertir. Eu a amo.  E também é uma menção honrosa a todos os gateiros e gateiras que lutam por eles. Aos que buscam quebrar os preconceitos contra os gatos, que conscientizam as pessoas quanto à necessidade de protegê- los. Temos um longo caminho a percorrer, mas já percorremos um bom caminho. A todos os gatos do mundo meu muito obrigada por vocês existirem.

domingo, 6 de abril de 2014

Personagens que Jamais Gostaria de Encontrar - um contraponto do outro post.

Na postagem anterior mencionei os personagens que gostaria de passar o dia, mas depois fiquei pensando que há personagens que definitivamente detestaria encontrar, se encontrasse provavelmente o resultado seria o desastre. Vou seguir o mesmo esquema de começar pela minha infância e depois vou seguindo até hoje.

Na minha infância eu li Pollyanna, sim, eu li. Confesso que naquela época até que gostei, mas depois de algumas reflexões, alguns acontecimentos desagradáveis depois, percebi que o tal "jogo do contente" era a última coisa que eu precisava como consolo, que toda vez que alguém chegava com uma lógica parecida comigo, eu tinha vontade de socar essa pessoa na cara, afinal, quando estamos desesperados por algum motivo saber que há pessoas que estão piores não ajuda, ainda mais porque eu ficava com a impressão que minha interlocutora não estava assim tão preocupada com o meu problema, já que se ela tinha cabeça pra pensar em outros supostos sofredores, que supostamente estavam piores que eu, então eu não tinha importância nenhuma pra ela, então ela que fosse consolar essas pessoas mas sofridas que eu e me deixasse em paz. Outro dado sobre a Pollyanna, é que ela esquecia seus próprios problemas em função dessas mesmas pessoas piores que ela, caraca, na real essa garota não se dá a menor importância, ela tem sérios problemas de negação, o fato de pessoas sofrerem mais que ela, ou sofrerem mais que eu, não significa que meu sofrimento ou o dela não tenha importância, nem mereça atenção. E quando tudo parecia que isso ia ficar somente na minha infância, eis que me aparece o Pangloss.

O Pangloss para mim é uma versão adulta e mais filosófica da Pollyanna, ele é uma espécie de mestre e companheiro de aventuras de Cândido, do livro clássico do Voltaire. Enquanto eu lia esse livro, não via a hora que o Pangloss caísse na real, já que toda a aventura estava marcada por um monte de desgraça. Isso complica muito. Já que nem sempre manter o otimismo cego ajuda, às vezes uma pessoa que assume que a situação esta complicada enxerga melhor as saídas. Se é que existe saída. Mas ainda bem que diferente da Eleanor H. Porter, a autora da Pollyanna, Voltaire é um gênio literário e filosófico, o que fez dessa abordagem do otimismo uma leitura muito, mas muito mais interessante mesmo. Os momentos de ironia no texto geniais, adoro esse livro. Completamente diferente da pieguice emética da Pollyana. No fundo acho os otimistas demais muito chatos.

Uma personagem recente que odiaria encontrar é a Dolores Umbridge, que foi a professora de Defesa contra as Artes das Trevas de Harry Potter, acho que de todos os vilões ela é a única personagem que realmente consegui sentir repulsa. Diferente de vários vilões clássicos da Literatura, que costumam ter um certo charme, um carisma, a Dolores não é nada disso. Ela é chata, não dá pra sentir a menor empatia com ela. Falo empatia mesmo. Vejamos o Voldemort, mesmo com toda maldade, somos tentados a entender o que se passou com ele, sabemos que a vilania dele tem uma causa, é um personagem psicologicamente complexo, ele não é chato, há momentos que dá até pra entender o por quê dele ser do jeito que é. Mas a Dolores, francamente não dá. Ela é má por pura opção. E parece que não faz a menor questão de ser diferente. Há uma coisa que já faz da J. K Rowling uma escritora histórica, ela conseguiu criar a vilã mais desagradável de todos os tempos. Nunca tive tantos problemas com os vilões, mas essa é a mais desagradável de todas. Alias os vilões costumam ser até bastante sedutores. Personagens interessantes mesmo.

Há um personagem no entanto que tenho minhas dúvidas, o Gregor Samsa. Acho que se não fosse o problema dele ter virado um inseto, coisa que não sei de onde tiraram a ideia de que seria uma barata, já que pelo menos nas traduções que eu li poderia ser um besouro, mas como tenho sérios problemas com insetos em geral, besouros, baratas, borboletas, mariposas, gafanhotos, tenho fobia a todos eles. Sou do tipo que não pode ver borboletas nem desenhadas por crianças. Imagina pensar numa pessoa metamorfoseada num inseto enorme, um pavor completo. Mas ao mesmo tempo, eu sinto uma compaixão enorme pelo personagem, pelo ser humano que ainda reside nele, no momento que a família passou a vê-lo como uma vergonha, e ele chegou a ser atacado por aquela maçã, eu não consigo descrever o que eu senti nesse momento da história. Eu chorei convulsivamente por horas com essa atitude do pai. Deu vontade de proteger.

Interessante que durante o processo de elaboração do texto, percebo que a quantidade de personagens que detestaria encontrar não são muitos. Deve ser porque a Literatura sempre nos traz coisas boas. Mesmo quando estamos lendo livros densos, cheios de tragédias, nos expondo o lado mais sombrio da vida, ainda assim somos inundados por sentimentos, por luzes e sombras, sobretudo pela beleza de um texto bem escrito. Não sei se algum dia serei capaz de escrever como um grande escritor, mas tento fazer o melhor que eu posso. E vou prestando minhas singelas homenagens nessas linhas, nesse espaço que eu criei para expressar minhas ideias, e escrever simplesmente porque eu amo a palavra escrita. Aos grandes e pequenos escritores meu muito obrigada por colocarem esses personagens na minha vida, tanto os legais quanto os chatos.

Personagens que eu Passaria um Dia se eu Pudesse - Texto Rápido

Acho que todo amante de livros, sobretudo romances já se imaginou tendo encontros com personagens, o que seria dito nesses encontros, se daria algum conselho, ou iria preferir ouvir mais, resolvi listar brevemente aqui uns que me vêm a mente quando penso nisso.

Na minha infância são dois, A Sofia do livro Sofia, a Desastrada de Condessa de Segur, pois a menina se dava mal o tempo todo, um dos poucos personagens infantis antigos que mostrava a infância do jeito que ela era, sem muita fantasia. Eu era igualzinha. O outro seria o Tistu, do Menino do Dedo Verde, Maurice Druon, o primeiro e único livro infantil do autor e foi muito bem sucedido, lembrando que os livros adultos são muito bons. O Tistu é outro que eu adoraria brincar e ter como amigo.

Na adolescência, seria a Clara da Casa dos Espíritos, Isabel Allende, sou uma das que detestou a escolha da Merill Streep pra fazer a personagem, por maior que seja o talento dela, não dá pra encaixar a personagem com o rosto dela, deveriam pegar uma atriz mais morena e mais jovem, pois mesmo depois de uma certa idade, dava a entender que ela mudou pouco. O único ator que achei bem escalado foi o Jeremy Irons. Outro seria Adonai do livro homônimo com o subtítulo de Novela Iniciática do Colégio dos Magos do Jorge Adoun, ele também é conhecido como Mago Jeffa, acho interessante porque ele joga toda a história no contexto libanês, O Adonai da história começa como Adônis e ele é cheio de dons espirituais, e é inteligente pra caramba, mas se envolve com um dos vários problemas políticos do Líbano e tem que se isolar numa comunidade drusa onde conhece um mago que tem que ajuda-lo na sua iniciação, mesmo depois de iniciado, quando passa a se chamar Adonai, ele chega a ser conselheiro de um vizir, lidando com essas questões mais políticas mesmo. 

Nos meus 20 anos adoraria conviver com Sherlock Holmes, que dispensa comentários.

Agora aos 30 e tantos penso em todos os psicanalistas criados, tanto os inspirados em personagens reais quanto os fictícios, pelo Irvin D. Yalon, o do Quando Nietzsche Chorou. Adoraria conversar com todos eles, e sobretudo ser paciente do autor.


Claro que há personagens mais ricos, existencialmente claro, que até gosto bastante, o Dorian Gray, do Retrato por exemplo, adoro o livro, adoro o jeito como ele vai se construindo e desconstruindo, mas não sei se daria pra aguentar toda aquela bajulação em torno da figura dele, nem o Sir Henry, provavelmente. Amo o livro O Estrangeiro do Albert Camus, o Meursault, quem sabe? Ele parece frio e apático, mas algumas coisas fazem sentido. Vira e mexe me pego pensando que essa é uma pessoa que me entenderia. Muito bom pra quando estamos precisando de respostas cruas, sem rodeios. Na realidade seria interessante um personagem por dia. Nossos dias mudam, as companhias literárias também.