sexta-feira, 24 de janeiro de 2014

Palavrão: um pequeno insight.

Não é de hoje que sinto necessidade de terapia, as razões que me levam a isso não cabem aqui nesse texto, pode ser que eu explore melhor numa outra oportunidade. O que trago aqui é compartilhar umas impressões que tive nessas experiências, sobretudo essa última tentativa. Penso que qualquer um que já tenha passado por quase uma dezena de terapeutas, e quase o mesmo número de linhas terapêuticas sabe que nem sempre as relações entre terapeutas e pacientes são as mais harmônicas, as mais produtivas. Alguns conseguem nos conectar com nossas essências, outros parecem querer fabricar essa essência, colocam palavras nas nossas bocas, forçam importância a uma determinada frase que não proferimos com esse tom de destaque todo. É basicamente isso que estava acontecendo com essa minha terapeuta mais recente, meu namorado já havia sentido que havia problemas nesse jeito de proceder a terapia. Mas eu, por ser uma pessoa de pagar pra ver, dar chances pro outro se mostrar melhor, fui ficando nessa terapeuta, até que algo pareceu me despertar pra inutilidade de insistir nessa abordagem, há uma série de coisas que preciso resolver em relação aos meus fantasmas? Claro que há. Mas existe algo que uma abordagem mais pragmática será mais útil? Sim, eu preciso acreditar nisso.

Há umas 2 semanas me coloquei em marcha pra ir atras de outro tipo de ajuda, liguei pra essa terapeuta pra dizer que estava saindo do processo, que precisava cuidar de outras coisas, e que não iria mais lá. Mas ela tentou insistir em marcar um encontro pra discutir a minha decisão. Num primeiro momento até me pareceu justo. Mas a medida que o encontro se aproximava, minha vontade de mandar a mulher tomar no cu, sim, mandar um lindo e sonoro VAI TOMAR NO CU, aumentava exponencialmente. Falei sobre isso com meu namorado. Ele disse que não parece uma forma racional de tratar o assunto, concordo. Mas ao mesmo tempo esse trecho da conversa ficou martelando na minha cabeça, e pego-me refletindo sobre a natureza do palavrão.

Não gosto de negar que somos todos animais, o que costumamos conseguir no máximo é sublimar ou recalcar nossos instintos, não conseguimos neutralizá-los totalmente, do contrário acho que seríamos menos raivosos uns com os outros, até mesmo as emoções mais nobres, como o próprio amor, teriam outro nível de compreensão e manifestaríamos de um jeito diferente do que conhecemos isso tudo. Acho que sentimentos e emoções são nossas conexões animalescas. A diferença é que nossa espécie gosta tanto de ser especial, que criamos a linguagem, provavelmente os animais sentem amor da mesma forma que sentimos, mas nós demos nome a isso que sentimos e chamamos de amor. Uma forma de racionalizar algo que pertence às emoções. Ok, Zoe, mas onde entra o palavrão nisso tudo?


Fiquei pensando que o palavrão não chega a ser algo tão tosco assim. Em relação a minha atual ex-terapeuta, mandar "tomar no cu" não deixa de ser uma estrutura complexa, diante da raiva que eu estava sentindo acho que conseguir pensar numa frase, "vai tomar no cu", com uma construção sintática completa, verbo, sujeito "você" nesse caso elíptico, predicado, é ou não é uma frase sintaticamente completa? O que é questionável nos palavrões em geral é se seriam apropriados aos contextos de uso. Até perguntei ao meu namorado se ele preferia que eu lançasse um grunhido, aí sim minha animalidade estaria manifesta de maneira mais evidente, na realidade eu mando as pessoas tomarem no cu pra não ter que grunhir, ou rugir como os leões.

Nossa espécie é tão estranha que até pra xingar somos gramaticais. É apenas algo que me ocorreu.

quinta-feira, 28 de novembro de 2013

O Ateu Virtuoso: outro comentário de livro.

Antes de falar sobre o livro dessa semana, devo falar um pouco sobre minha relação com livros. Uma característica minha é a necessidade de não ficar em apenas um livro do autor, principalmente quando eu gosto desse primeiro contato com a escrita dele. Foi assim com Nietzsche, com Voltaire, Bertrand Russell, Schopenhauer, Kafka, Camus e muitos outros. Paulo Jonas de Lima Piva agradou-me muito com o Ateísmo e Revolta, o qual falei no post anterior. Nesse livro ele chegou a citar um outro livro escrito por ele. E acabei encontrando esse livro a venda numa livraria da UERJ. Sempre que vou a uma universidade procuro saber se há livrarias, alias adoro livrarias. 

O Ateu Virtuoso, se eu não estou enganada, foi adaptado da tese de doutorado do autor. Ele tem como subtítulo Materialismo e Moral em Diderot, isso significa que o livro alem de discorrer sobre a vida e obra de Diderot, ele trava uma discussão sobre a necessidade (no caso não-necessidade) de Deus na construção da moralidade.

Para o autor, Diderot visita esse tema de maneira sistemática em sua obra. Alias o tema da moralidade parece ser muito caro ao pensador francês. A exemplo do Ateísmo e Revolta há uma análise dos vários aspectos da obra de Diderot, assim como uma descrição muito interessante do reflexo que sua obra e suas ideias influenciaram o Iluminismo francês, a atuação dele como um enciclopedista, afinal é basicamente impossível falar de Iluminismo sem mencionar a Enciclopédia e os enciclopedistas. Ele volta a falar em certos momentos de Jean Meslier, fala dos libertinos. Vale lembrar que o termo libertino nessa época não tinha conotações exclusivamente sexuais. O conceito da palavra estendia-se a toda liberdade irrestrita de pensamento. Nesse sentido os pensadores ateus eram também chamados de libertinos. Afinal era uma forma de pensar livre, e desafiava o status quo.

Depois dessas considerações históricas e filosóficas sobre Diderot, segue uma análise de cada livro escrito por ele, e como ele trata o materialismo e a moral neles. Como esses livros, alguns em forma de ensaio, outros em forma de romances, dialogam com obras de outros autores da época e até mesmo anteriores. Alguns são de temática sexual. Outros falam sobre religião, mas mostrando que nesse contexto a moralidade é bastante questionável. Compara alguns romances desses com a obra do Marquês de Sade. Dá muita vontade de sair comprando tudo que é livro de Diderot.

Ele também menciona a relação de Diderot com Catarina II da Rússia, nesse aspecto o livro chama atenção pro fato de filósofos eventualmente aconselharem figuras despóticas, como foi o caso de Aristóteles e Alexandre o Grande, e Sêneca com Nero. Diderot a princípio era contra, pois achava que filósofos não tinham que se meter, mas depois mudou de ideia, acreditando que assim poderia fazer que essas pessoas fossem mais esclarecidas. 

São muitos detalhes levantados nesse livro, não é possível comentar todos os aspectos nesse post. Afinal isso não se propõe a ser um mega ensaio, o objetivo é falar sobre um livro que gostei, e ajudar a ampliar a bibliografia sobre ateísmo. Esse livro vale muito a pena. 

sexta-feira, 22 de novembro de 2013

Ateísmo e Revolta: um pequeno comentário (espero que dessa vez sem bug)

Dentro da crescente bibliografia sobre ateísmo, um livro chamou-me bastante atenção. Não é dos livros mais citados e comentados sobre o tema, talvez por isso resolvi escrever algumas linhas sobre. Eu o encontrei por acaso numa estante de Filosofia na livraria Prefácio no Rio de Janeiro. O título é justamente  Ateísmo e Revolta, o autor é Paulo Jonas de Lima Piva. Pode-se encontrar informações sobre ele nesse link(aqui).

O livro fala sobre um personagem da história do ateísmo bastante improvável. Um padre, e sim, esse padre era ateu. Trata-se de Jean Meslier. Confesso que adorei saber que esse homem existiu.          Pra falar a verdade, se não fossem algumas informações contidas na capa e na orelha do livro, não seria pelo título que eu resolvi compra-lo. Mas já na capa esta escrito que o livro fala do padre ateu. E como ele influenciou a noção atual do ateísmo.


Jean Meslier nasceu em Mazerny em 15 de junho de 1664 e morreu em Étrépigny em 17 de junho 1729, estes dados mostram que ele esta inserido no contexto do Iluminismo francês.            Ele levou uma vida normal de sacerdote católico numa aldeia francesa. Cumprindo com seus deveres, realizava missas, pregava como todo padre. Mas na intimidade escrevia um diário, nesse diário ele falava abertamente sobre sua descrença, escrevia coisas sobre Deus e Jesus que fariam muitos ateus de hoje corar. Falava da repulsa que ele sentia do clero e da aristocracia. O que também o aproxima politicamente do comunismo e do anarquismo, dependendo da fonte que se lê a respeito desse padre. Este diário tinha por objetivo pedir desculpas póstumas aos frequentadores de sua igreja por ter mentido sobre a existência de Deus. Tudo que ele proferia seria mentira. E mostrava argumentos fortes contra a existência desse Deus. Um dos primeiros filósofos a ter acesso a esses manuscritos foi justamente Voltaire, mas ao editar o diário, que foi publicado com o nome de Testamento de um Padre de Aldeia, o fez disfarçando dando a impressão de que Meslier seria um deísta aos moldes de Spinoza. Mas ainda bem que a História mostrou a verdade desse caso.

Em Ateísmo e Revolta, Paulo Jonas destrincha cada detalhe desse homem, mostra os tais argumentos usados por Meslier para demolir a existência de Deus. Mostra as influências filosóficas desse pensador inusitado. Mostra como ele era original em suas ideias. E como ele influenciou pensadores até mesmo do porte do Diderot. E não esquecendo de Voltaire também. A ponto de uma frase super famosa que costuma ser atribuída ou a Diderot ou a Voltaire, na realidade ser de autoria do padre.


A frase é essa:

‘Eu gostaria, e este será o último e o mais ardente dos meus desejos, eu gostaria que o último rei fosse estrangulado com as tripas do último padre’

Na realidade Diderot a usou com uma leve mudança, e foi assim que a frase chegou até os dias de hoje.
 o homem só será livre quando o último rei for estrangulado com as entranhas do último padre”



O livro Ateísmo e Revolta provavelmente não é tão fácil de ler, ele segue um padrão mais acadêmico no texto, mas ao mesmo tempo o autor tem tanto carinho pelo personagem, que ele prima pela clareza do texto, não permite que a formalidade ofusque o brilho do personagem comentado. O livro também compara autores contemporâneos e levemente posteriores que também contribuíram para a História do ateísmo. Barão d' Hollbach,  Marquês de Sade, Feuerbach e muitos outros.


Meslier também é citado no excelente livro Tratado de Ateologia de Michel Onfray. Posso vir a escrever sobre esse outro livro numa outra oportunidade.


Espero ter contribuído de alguma forma com esse pequeno texto.

quinta-feira, 7 de novembro de 2013

O Cartório do Kafka.

Apesar de não ter criado esse blog para falar de assuntos pessoais, já é a segunda que o faço. Mas acho importante descrever o que se passou nesse mês. O assunto anterior foi um problema com o banco, agora o problema foi um cartório. Creio que é interessante compartilhar isso, pois se alguém se identificar com o problema poderá exercer sua crítica também.

O problema começou quando minha mãe me liga da cidade onde eu morava antes de vir para São Carlos (SP). Eu morava numa casa que esta sendo utilizada pela minha irmã como consultório. Então, o problema foi a conta astronômica de luz do imóvel. Haveria a necessidade de parcelar, ou entrar com um processo por grande possibilidade de contagem errada do relógio. A conta de luz ainda esta no meu nome, minha irmã a usuária não poderia resolver isso sem uma procuração minha. Então fui ao cartório providenciar o tal documento. Isso foi há um pouco mais de 1 mês. Só hoje pude pegar a procuração no cartório.

Já morei em outras cidades antes dessa, já tive que fazer procuração por um motivo ou outro, e geralmente em 1 ou 2 dias eu recebia o documento e estava tudo certo. Nunca vi um caso de demora como esse. O atraso segundo o rapaz que me atendeu, recolheu as informações e redigiu a procuração, foi por causa do tabelião que tinha que conferir a procuração, e pelo volume de papel na mesa dele a minha tinha que esperar a vez. Depois da liberação do tabelião vinha a etapa que eu tinha que assinar o documento. Cheguei no cartório na sexta-feira da semana passada, e tive que esperar o rapaz ler as quatro páginas do referido documento. Sim, ele leu na íntegra. Depois seguiu-se quase 1 hora do rapaz entrando e saindo de salas até imprimir a procuração num papel oficial timbrado. Até que eu pudesse assinar e pagar pela procuração, o custo ficou em 154,00 reais. Não sei se em outras cidades o preço é esse mesmo. Mas achei caro. Problema resolvido? Não, claro que não. O documento teria que voltar ao tabelião para ele assinar, havia a promessa da liberação no mesmo dia, mas não foi isso que aconteceu. Enquanto isso minha mãe pressionando, e eu pressionando o cartório. Mas uma vez Kafka entra na minha vida.

Nesse processo todo descobri que apenas 2 cartórios atuam nessa área na cidade. Há um terceiro que atua apenas em registro de imóveis, pelo que o taxista que me levou ao cartório me falou a coisa parece uma máfia, e como são poucos cartórios na cidade os funcionários abusam muito do poder que têm e fazem as pessoas esperarem muito mesmo.

Finalmente a procuração já esta nas minhas mãos ainda tenho que enviar pelo Sedex. Nisso a luz lá já foi cortada. Por via das dúvidas pedi pra fazer uma procuração mais abrangente possível, espero não ter que fazer outra tão cedo enquanto estiver morando aqui.

quarta-feira, 6 de novembro de 2013

Pirâmides: ou como deixei de acreditar em aliens.

Uma das coisas que mais me fascinavam na minha adolescência eram as pirâmides de Egito, as histórias dos deuses, a ideia de que uma mulher chegou ao poder por ali. Eram tantas referências culturais, alem do mais os deuses eram retratados de maneira bastante estilosa. Até que comecei a ouvir aqui e ali hipóteses de que alienígenas estiveram por lá e deixaram aquilo tudo como legado.

Eu, ainda adolescente, não era difícil de se deixar seduzir por essa ideia, cheguei a ler trechos de 2 livros do Erich von Daniken, mas o livro dessa época que me pegou pelo pé foi um chamado As profecias da Pirâmide de Max Toth, quase não ouço outras pessoas falarem dele.

Neste livro há uma série de tentativas de associar passagens da Grande Pirâmide e suas inscrições com passagens bíblicas, demonstrando que era ali que estava a origem de todo conhecimento humano. Em outras passagens do livro menciona Atlântida como algo que sem sombra de dúvidas existiu. Passei anos pensando nessas ideias como fatos incontestáveis da história. Atlântida existiu, o Egito colonizado por ETs, e as pirâmides como fontes primárias da Bíblia.

Até que depois de algum tempo fui tornando-me uma pessoa mais cética, não necessariamente sobre esse assunto, muitos outros assuntos foram tomando conta da minha agenda intelectual, como Ciências Ocultas, cheguei a frequentar a Ordem Rosacruz, nesta ordem também se falava muito sobre o Egito, sobretudo Akenathon, suposto fundador da Ordem. Mas comecei a perceber que minha situação ali era o começo do meu processo de descobrir-me ateia. Afinal eu estava buscando respostas em lugares diferentes das religiõs tradicionais. Uma ordem secreta é tentador nesse sentido.

Nessa época eu já havia me separado da minha família, estava morando num pensionato de freiras, imagina a situação? Ainda bem que essas freiras tinham uma postura "muderninha", elas apenas gerenciavam aquele espaço que era voltado a alojar moças distantes das suas famílias. Não se metiam na vida das pensionistas.
Lá fiz um monte de amigas, afinal 70 mulheres morando juntas, rolava muito debate, dependendo da área de estudos de cada uma havia sempre uma contribuição de acordo. A sala de TV era essa arena onde a maior parte das conversas se davam. Alem disso tudo, rolava muito intercâmbio de livros entre nós. Até que um desses livros emprestados caiu nas minhas mãos. O livro era Livro de Ouro dos Grandes Mistérios da Antiguidade, Peter James e Nick Thorpe. Nesse livro os autores falam de vários temas, incluindo a possibilidade de personagens como Rei Arthur e Robin Hood terem se baseado em figuras reais e tudo mais.

Como não poderia deixar de faltar, sim, temos pirâmides nesse livro, foi aí que li pela primeira vez uma explicação bastante humana, na escola não conta muito, pois lá eles não entram nos detalhes da engenharia e arquitetura investidas ali. Os autores demonstram a partir de dados como, datação das pedras, análises geológicas, e outros dados que não lembro muto bem que sim, os próprios egípcios construíram aquilo.
Nesse livro os autores aproveitam para atacar as ideias de Erich von Daniken, mostrando que nenhuma comunidade científica o levava a sério com essa história de ETs. Inclusive a explicação que eles dão pro sucesso dessas hipóteses alienígenas na Europa, passa por um conceito racista, afinal é fácil pensar que um povo antigo da África não teria condições de construir nada alem de uma tapera.

Interessante pensar que essa explicação longe de tirar o brilho do povo antigo, acho que aos meus olhos a grandeza daquela civilização só aumentou. Depois fiquei sabendo que o hábito de embalsamar os corpos os dotaram de conhecimentos anatômicos bem abrangentes.

Mas para aqueles que insistem na explicação alienígena, eu só acho que um povo com avanço tecnológico suficiente pra chegar até aqui, provavelmente faria uma construção mais prática, se formos observar as construções modernas, a tendência é cada vez os materiais ficarem mais leves, muito uso de vidro, formas arredondadas. Muitos prédios hoje em dia apostam na assimetria. coisa que seria herética para os povos da antiguidade. Finalmente não há nenhuma razão para pensarmos que o povo egípcio não seria capaz de construir as pirâmides, assim como os maias também puderam construir as suas pirâmides. Para não deixar de mencionar a fabulosa cidade de Machu Pichu nos andes.

De uma certa maneira somos deuses, somos uma espécie super capaz, e vamos valorizar nossas obras, sim, essas obras são nossas.

domingo, 6 de outubro de 2013

APAE, Funk na Sala de Aula.

Antes de tudo alguns esclarecimentos, fiquei um tempo sem postar por pura falta de inspiração, apesar de saber que vários temas do meu interesse estavam pipocando por aí. Pensei muito se eu faria um post para cada tema. Acho que ainda farei isso. Mas para não defasar muito e todo mundo esquecer desses problemas, resolvi falar pelo menos de dois temas pinçados de vídeos e outros meios de postagens. Mas de uma certa maneira o assunto é o mesmo. Educação.

Fiquei bastante preocupada com o possível fim das APAEs, alegando que é plenamente viável a inclusão dessas crianças atendidas pela entidade nas escolas regulares. Legal, não vou negar que há casos pontuais de sucesso, onde a criança se adaptou bem, mas será que todas estariam aptas ao processo? Ou ainda, os professores estariam preparados para encarar esse desafio? Creio que não.

Qualquer pessoa que tenha visto pelo menos 2 crianças autistas, ou 2 com Síndrome de Down, irá perceber diferenças entre elas, uma vai articular melhor as palavras. Outra pode levar anos até aprender a falar. Não seria exagero afirmar que não existem duas crianças portadoras da mesma síndrome iguais, idênticas nos detalhes mais sutis. Isso para ficarmos nas nomenclaturas mais conhecidas. Nesse sentido uma escola especializada não é chamada assim sem razão. Há professores especializados, que a meu ver são movidos por uma vocação pedagógica a parte. Um corpo de profissionais de apoio extra pedagógicos, psicólogos, fonoaudiólogos, fisioterapeutas. Todos qualificados para aproveitar o que essas crianças têm de melhor. Assim elas poderão ser incluídas no mercado de trabalho. É o que venho chamando de verdadeira inclusão. 

A escola será sempre uma etapa temporária na vida de todos, é lá que temos a oportunidade de experimentar viver numa sociedade que não seja a nossa família. A verdadeira batalha começa depois dela, onde alguns entrarão na universidade, outros resolvem que vão começar a trabalhar, outros decidem dar um tempo. É pra essa vida que essas crianças especiais devem estar preparadas. Com seus talentos desenvolvidos.

Volto a repetir que não vejo problemas que algumas crianças estudem em escolas regulares, algumas realmente estão plenamente aptas para isso. Temple Grandin é uma bióloga reconhecida, estuda animais, e é portadora de Síndrome de Asperger, uma forma leve de autismo. Exemplo de profissional bem sucedida. 
Quem quiser mais informações sobre ela, leia Um Antropólogo em Marte do Oliver Sacks, há um capítulo sobre a vida dela e suas ideias. Alias nesse livro ele também conta a história de uma família de 6 filhos e todos autistas, nenhum com mesmo grau de severidade, todos bastante diferentes entre si. Lógico que as demandas de cada um serão diferentes.

Veja que ficamos apenas nas duas causas mais conhecidas de atraso no desenvolvimento, há muitas outras. Dezenas delas, pelo menos as que eu conheço, apenas como curiosa do assunto. Quem é da área médica pode chegar a centenas. Então, mesmo que algumas dessas crianças possam estudar normalmente como outras crianças, há outras que necessitam mesmo de atenção especializada, nesse caso as duas opções devem estar disponíveis.


                                                                       ...

Passeando pela internet dou de cara com um vídeo de um trabalho escolar, nesse vídeo 4 garotas dançam funk de sainha bem curta, mostrando que havia por debaixo das saias. Sim, isso era um trabalho de escola, não faço a menor ideia de que matéria, mas é nesse sentido que aqui também defendo que inclusão tem limites. 

Quando estudei música na faculdade ouvia coisas sobre não desvalorizar os gostos musicais dos alunos, se era funk, então seria a partir dele que eu teria que começar o processo de musicalização, mas se a ideia ficasse apenas em mostrar o ritmo, colocar as crianças para batucar e cantar, legal. Mas o que me incomodava era o fato que os professores nunca mostravam como fazer uma transição para outros gêneros e estilos, aí que começam os problemas. Acho que o papel do professor é ampliar os horizontes, pensar que eles estão preparando pessoas para o futuro do país. Interessante que o queridinho desses profissionais, Paulo Freire, nunca disse que não se deve ensinar ciência de verdade, ou cultura universal, ele apenas dizia que o conhecimento deve partir de algo que o aluno já conheça. Ele não era muito afeito a pensar os alunos como tábulas rasas, que sempre havia um ponto de partida. Mas o objetivo era sempre chegar a uma mentalidade epistemológica. Qualquer dúvida ler Pedagogia da Autonomia do autor. 

Desconfio que esses professores pegam Paulo Freire e mutilam mais da metade do texto. Acham legal a parte que dá menos trabalho, que é colocar as meninas mostrando a bunda na sala de aula, pra depois dizer "olha como sou uma professora legal, eu valorizo o que meus alunos sabem fazer", mas partir desse ponto e falar de arte europeia, oriental, nem pensar, né? Ou nesse caso de um professor de Matemática poderia ficar apenas nas continhas que possam ser feitas com ábaco? 

Isso tudo me leva a pensar que se uma criança com atraso cognitivo severo conseguir estudar nessas escolas públicas, sem problema algum, não é porque ela esta se superando, é porque os professores e demais alunos estão caminhando para trás.

quarta-feira, 24 de julho de 2013

O que é bom dura pouco

Numa manhã de 2007, no Rio de Janeiro, eu tinha uma carteira de documentos velha caindo aos pedaços, mas a usava assim mesmo, era um sábado e eu tinha que estar bem cedo numa região pra lá de distante do Rio de Janeiro, já até esqueci o nome. Pois não faz parte dos famosos cartões postais da cidade. Mas o que interessa é que no momento que peguei a tal carteira pra tirar o dinheiro pra pagar o ônibus, numa das 4 conexões que eu tive que fazer, meu cartão de débito pulou do bolso da carteira onde ele ficava. Só fui perceber o problema quando precisei sacar um dinheiro. Desespero.

Começam os procedimentos típicos desse tipo de coisa, ligar pra bloquear o cartão e solicitar uma nova via, foi aí que descobri que o banco Itaú tinha a disposição um cartão provisório que eu poderia retirar em qualquer agência do banco e usa-lo até chegar o novo cartão. Ótimo, um problema a menos na minha vida. Adorei saber que perder um cartão não era o fim do mundo.

Corta.

Estou em 2013 em São Carlos, SP. Nessa semana, ontem, me vi com meu cartão de débito bloqueado por razões que só Kafka explica. Corri para o banco pra entender o que estaria acontecendo e tentar fazer um desbloqueio ou obter outro desses cartões provisórios. Não foi possível. Fui informada que eu só poderia obter esses serviços na minha agência, detalhe a minha agência continua a mesma no Rio de Janeiro, e fiquei sem entender nada.

Já tive problemas de cartão bloqueado, e consegui desbloquear em agências que não eram a minha agência, quando precisei do cartão provisório também não foi na minha agência que eu peguei esse cartão. Comuniquei isso à gerente, ela disse que há uns 2 anos que não fazem mais isso. Que foi decidido que somente na agência do cliente é possível realizar esses procedimentos.

Por que isso? Resposta: evitar fraudes. Que ótimo. Por causa de uns babacas que fraudam o sistema, uma comodidade, um serviço interessante que um banco oferece ao cliente não existe mais. Agora estou eu aqui tendo que ficar 12 dias até receber meu cartão novo. A única forma que posso retirar dinheiro agora é da maneira antiga. Vou ao banco, entro na fila pra ser atendida por um funcionário, e ele me dá o dinheiro.

Fiquei com muita raiva, esse post é um desabafo contra as muitas coisas erradas feitas por irresponsáveis que resultam na eliminação de serviços interessantes pro consumidor, este que não fez nada de errado.

Obs - O problema foi resolvido, não sem antes ficar um pouco mais estressada, lógico.