domingo, 1 de dezembro de 2019

Tá vendo essa foto? É o crânio de um pug.
Antes de começar, queremos deixar claro que não temos nada contra o cachorro cujo qual a própria existência já o traz a condição de vítima. Porém vocês precisam parar de comprar pugs, buldogues, shitzus etc e alimentar essa indústria.
Independente do criadouro, a raça pug, os shitzus e buldogues surgiram de deformações intencionais justamente pra você achar fofo e pagar mais de 2 mil reais nele. O formato do nariz traz complicações desde o primeiro dia de vida. São cachorros que roncam, que não tem qualidade de vida nem pra respirar, um verdadeiro sacrifício. Por causa disso, eles não conseguem regular a própria temperatura, os tornando cansados o tempo todo. Os olhos esbugalhados doem, inflamam e infeccionam em pouco tempo. A coluna e a pata são deformadas, irregulares, e se agravam com o tempo. Eles tem taquicardia e quase sempre doenças na pele. É um animal, não um boneco de brincar de pet. E esse animal sofre por estar vivo, pois nada que compõe a natureza de um cão feliz é compatível com ele.
Você que não sabia disso e tem um pug, não tenho nada contra você. Mas não deixe-o procriar. Não é justo continuar gerando animais numa condição tão miserável, tão lamentável.
Essa luta é por eles!

segunda-feira, 24 de setembro de 2018

sexta-feira, 24 de agosto de 2018

A Evolução do Golpe Nigeriano

            Antes de começar é preciso esclarecer que o chamado "golpe nigeriano" hoje em dia virou um nome genérico pra definir um estilo de golpe, e recebe esse nome porque os primeiros casos foram identificados na Nigéria e países próximos. Hoje podemos encontrar esse golpe sendo aplicado nos mais diversos países, mas continua sendo mais frequente em países africanos, na Índia, e alguns países do Oriente Médio. Basicamente consiste num golpe produzido no meio virtual. Na realidade não posso dizer ao certo quando isso começou, mas posso dizer que numa época que as pessoas praticamente só usavam internet pra mandar e receber e- mails o golpe já existia. E hoje com a evolução das redes sociais obviamente os meios e métodos evoluíram. Nesse texto pretendo mostrar como eram feitas as abordagens no princípio e como elas estão sendo feitas ultimamente.

          Muita gente já deve ter recebido e- mails dizendo que em algum lugar do mundo ela ganhou na loteria, alguém morreu e deixou uma herança justamente pra esses destinatários dos e- mails. Sorte? Claro que não, afinal que loteria é essa que a pessoa nem havia jogado? E que pessoa é essa que pretende deixar uma herança justamente pra você? Nisso vem a jogada da coisa, normalmente o prêmio ou herança vinham nos valores de milhões de dólares, sim, normalmente dólares, mas pra você receber essa bolada um advogado se oferece por míseros 2 mil dólares desenrolar as questões burocráticas pra que o dinheiro seja liberado pra essa pessoa de sorte. Aí entra o golpe, não existe dinheiro nenhum, nem em dólares, nem em reais, nem mesmo na moeda venezuelana que já vem com milhares de zeros apesar de não valer nada. Interessante que eles nunca cobram valores tão absurdos, mas como a ideia do golpe é mandar e- mail para o mundo todo, algumas pessoas caíam. Percebam como essa abordagem é bem simples, sem grandes elaborações. Mas a desvantagem disso é que com o passar do tempo as pessoas ficam mais ligadas, aprendem a ignorar esse tipo de e- mail, e a coisa deixa de funcionar.

         Com o desenvolvimento da internet, outras formas de golpes virtuais foram surgindo, um desses eu mesma experimentei, embora eu não tivesse necessariamente caído no golpe. No caso desse golpe existe uma noção de que as pessoas são curiosas e curtem uma vidência, explorar o desconhecido, saber o futuro. Foi quando a Tara entrou na minha vida, apesar de eu ser cética, bem descrente mesmo, o que pega mesmo é a minha curiosidade, que é daquelas que matou o gato, como dizem. Para a Tara entrar na vida das pessoas basta acessar o site dela, dar o seu nome, e- mail, data e hora de nascimento, ela promete responder gratuitamente em 48 horas e dizer tudo sobre sua vida. E realmente o prazo é cumprido. Mas eis que a gente vai ler o diagnóstico astral da mulher, a gente realmente se convence que ela se debruçou no nosso caso, ela afirma que ficou trabalhando por 13 horas sem parar porque realmente ficou preocupada com a gente. A coisa parece bem profissional e altruísta. Até que no final ela afirma que precisamos fazer algo para evitar sérias consequências, ela oferece um amuleto, uma leitura mais aprofundada, e um trabalho espiritual para que nossos caminhos se abram. Aí é que vem a cobrança. Tem um link que a gente clica e verifica as formas de pagamento. 

         O mais interessante do site da Tara Vidente é que ali afirma que ela acerta 98% das previsões, o que estaria bem acima de acertos aleatórios, mas uma mulher com um dom desse nunca apareceu em entrevista, nunca foi procurada pra dar algum diagnóstico do que o mundo pode esperar para o futuro. Nada, simplesmente nada. Apenas sites desmascarando a farsa. A Tara ao que se sabe era um cara que morava aparentemente na China, isso baseado no IP do site, que pode não dizer muita coisa, uma vez que existem formas de usar IPs de outras localidades. Nos sites que desmascararam a farsa algumas pessoas alegavam que pagaram, e nisso a Tara sumiu. Eu nunca paguei, mas a Tara passou mais de 2 anos mandando e- mails dizendo que meu futuro estava em risco, apenas fui vendo até onde essa coisa ia chegar. Alguns e- mails vinham com um vídeo onde ela aparece apenas com áudio e cenas de imagens místicas, nos primeiros a Tara tinha um sotaque claramente português, nos outros ela passou a ter sotaque carioca. O timbre até parecia. Sei que alem da Tara, havia também o Tupac, a Maria Vidente, e a mais simpática de todas a Dona Gabriela. A Dona Gabriela quase me convenceu que pelo menos era uma pessoa de verdade. Nesses casos todos, se a gente se segurar pra não dar dinheiro nenhum, pelo menos a gente se diverte um pouco. Imagina receber um e- mail dizendo que a tal vidente estava fazendo uma meditação rotineira e do nada o meu nome, justamente meu nome aparece num flash e ela entende que tem que trabalhar no meu caso. Ou que meu dossiê caiu da estante  no colo dela, isso foi um aviso. Veja que ela tinha o MEU dossiê.

         Fazia tempo que estava pensando em escrever algo sobre esses golpes, mas o tempo foi passando e o assunto começou a parecer datado, até que mais recentemente descobri que uma nova forma desses golpes está tomando corpo. Nesse caso estão chamando de "golpe do amor", mas as os países de origem continuam quase os mesmos. E como a abordagem evoluiu. Hoje estão atacando nas redes sociais mesmo. Geralmente as mulheres, normalmente as vítimas são mulheres. Homens até podem cair no golpe, mas ou são mais raros, ou denunciam menos. Geralmente os golpistas se apresentam como militares ou engenheiros em missão no Iraque, Afeganistão, ou outro país que esteja em guerra no momento. Ou se apresentam como americanos ou outra nacionalidade que costuma mandar tropas para esses países. E claro, fazem perfil fake no Facebook, ou em algum site de relacionamentos. Colocam até fotos de um cara de aparência americana com uniforme de militar. E começam a seduzir a vítima, em pouco tempo já pede em casamento, começam a juras de amor eterno e tudo mais. É nesse ponto que começa o golpe, eles alegam que precisam enviar alguns objetos para o país no qual a vítima mora, depois que a vítima dá o endereço ele diz que já enviou, dias depois alguém liga para a vítima dizendo que a encomenda esta retida na alfândega e que ela precisa depositar o dinheiro pra liberar numa determinada conta. Aqui no Brasil já há um alerta dizendo que não existe esse lance de depósito em conta, caso haja realmente algo retido na alfândega a pessoa tem que se dirigir direto pra lá, e a coisa é paga ali mesmo. Alguns desses amantes começam até a dizer que pra poderem continuar a se comunicarem eles precisam de um celular, e que a vítima é que tem que comprar o celular e mandar. Complicado.

         No YouTube estão disponibilizados vários vídeos de reportagens de mulheres brasileiras que caíram nesse golpe, mas como nos exemplos anteriores esses golpes são aplicados no mundo todo. E esse é o que tem preocupado mais as autoridades, as mulheres afetadas que aparecem nessas reportagens alegam ter perdido muita grana mesmo. A ponto da pessoa ficar falida. Alem de super afetadas psicologicamente, afinal esse golpe envolve os sentimentos de alguém. As pessoas afetadas estavam apaixonadas de verdade. Paixão cega. Essa foi a forma que encontrei para ajudar as pessoas. São assuntos que a gente não pode se omitir e deixar de falar a respeito. Finalmente esse texto aconteceu. 

             

sexta-feira, 27 de maio de 2016

Síndrome ou Efeito Genovese, Ou o que Podemos Aprender com a Criminologia.

Kitty Genovese foi uma atendente de bar assassinada dia 13 de março de 1964, e seu assassinato teve como testemunhas cerca de 38 pessoas que não fizeram nada. Ela é essa moça da foto.

Mas o importante disso tudo é entender o que levou um monte de gente ter ouvido gritos, já que o ataque foi brutal, ela lutou por um bom tempo pela vida, pediu socorro e várias pessoas simplesmente ignoraram. Esse caso pode ser visto em detalhes no programa Crimes que Ficaram na História do canal Investigação Discovery. E foi nesse programa que foi abordado um fenômeno social chamado O Problema do Espectador ou Síndrome de Genovese.

Esse fenômeno se refere à tendência das pessoas de acharem que quanto mais pessoas testemunharem um crime, menores são as possibilidades de alguém ajudar. Isso provavelmente acontece por vários fatores, um deles por achar que outra pessoa vai ajudar, ou mesmo porque o problema não é dela. E basicamente foi isso que aconteceu com a Kitty Genovese, a área onde ela foi assassinada era nada mais, nada menos que o Queens, bairro super urbanizado de Nova York. Os gritos puderam ser ouvidos por toda a vizinhança, e até que finalmente alguém resolveu ligar para a polícia já era tarde. Nesse tempo várias coisas poderiam ser feitas, inclusive alguém tentar afugentar o agressor.

Quando a polícia apareceu e começou a colher os depoimentos, ouviu uma série de desculpas esfarrapadas. lamentável.

Andei refletindo muito sobre esse caso, ele possivelmente explica vários outros casos que não estão inseridos no contexto criminal. Temos algumas perguntas abaixo.

1 ) Quantas vezes num trabalho em equipe as pessoas deixam de fazer sua parte por achar que alguém vai fazer?
2 ) Quantas vezes a gente deixa de limpar uma rua por achar que outro vai limpar?

São eventos que parecem se adequar à lógica do que aconteceu com a Kitty, lembro quando morei num pensionato de freiras junto com 70 pensionistas e mais as 10 freiras residentes. Muitas vezes era normal alguém deixar de fazer alguma coisa por achar que havia mais de 70 pessoas que podem fazer. Eu mesma me via lavando minhas mãos eventualmente. Agora que moro sozinha toda responsabilidade é só minha.

Claro que isso como todo fenômeno social não dá pra generalizar, no caso da Isabela Nardoni eu soube que as linhas da emergência ficaram congestionadas de gente ligando e pedindo ajuda. Alias graças a essas ligações foi possível montar uma boa parte da linha do tempo dos acontecimentos. Mas mesmo assim acho útil tomarmos cuidados quanto a isso. Que se dane que outras pessoas viram e podem fazer alguma coisa, essas outras pessoas podem estar pensando a mesma coisa que você.


quarta-feira, 2 de março de 2016

Lisa Montgomery e sua Escola do Mal

A criminalidade em todos os níveis sempre foi algo que me interessou, e muito. Por isso resolvi escrever sobre alguns casos interessantes, sobretudo aqueles onde a maldade humana é incompreensível até mesmo para os maiores especialistas da mente criminosa. Isso nos traz a figura abjeta que dá nome ao texto. Lisa Montgomery.

Quem foi Lisa Montgomery? Aparentemente era uma dona de casa e mãe comum, até que uma jovem mulher a espera de seu primeiro filho cruzou o seu caminho. Essa jovem era Bobbie Jo Sttinett. As duas começaram a se corresponder pela internet por supostas afinidades, uma dessas afinidades seria a paixão por uma raça específica de cachorros. Outra que estariam ambas grávidas prestes a dar a luz.

Mas a gravidez de Lisa Montgomery nunca existiu, e a aproximação com Bobbie Jo era um ardil maligno. Um certo dia, Lisa Montgomery marcou uma visita à Bobbie Jo, alegando que queria ver uns cachorros, e quando lá chegou apunhalou Bobbie Jo, esfaqueou, e fez um corte na barriga para retirar o bebê, uma menina. O objetivo era roubar o bebê e alegar que ela deu a luz e a criança era dela. Felizmente o caso foi resolvido rapidamente pelas autoridades policiais, a criança foi recuperada, e Lisa Montgomery presa, essa mulher foi a primeira mulher a entrar para o corredor da morte por um crime que foi considerado federal.

Como se não bastasse, houve também o caso de Sarah Brady, nesse caso uma moça chamada Katie Smith, tentou praticar o mesmo crime, mas nesse caso Sarah num rompante resolveu que não ia deixar barato e lutou, claro que o contexto todo do encontro já havia dado sinais que havia algo errado, ela já estava na defensiva, Bobbie Jo não teve esse tempo pra reagir. O fato é que Sarah Brady acabou esfaqueando sua algoz em legítima defesa. Nesse caso quem se deu mal foi quem quis fazer o mal. Katie Smith também tinha como objetivo fazer um parto forçado em Sarah pra ficar com o bebê, ela também estava mantendo uma gravidez falsa.

Nesse fim de semana surgiu outro caso idêntico a esses no canal Investigação Discovery. Só nesse canal já foram uns 8 casos semelhantes, onde temos uma grávida feliz a espera de um filho, e do outro uma mulher aparentemente frustrada, mas com certeza cheia de problemas se passando por grávida e se aproxima de uma grávida de verdade pra roubar o bebê, e como efeito o ato pode acabar em morte. Nesses casos, nem sempre a morte é certa. Mas sempre alguém acaba seriamente machucada.

Provavelmente esse tipo de crime seja um dos mais perversos que se pode imaginar. E também um dos menos documentados, o que sugere que para chegar a cometer essa atrocidade é necessário uma raríssima natureza maligna, um tipo de maldade capaz de gelar a espinha dos mais sanguinários assassinos. Não posso afirmar que Lisa Montgomery tenha sido a primeira a fazer isso, mas não foi nem de longe a única, nem a última.

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2016

Conhecendo os Amishes

É muito provável que os Amishes sejam um dos grupos de pessoas mais misteriosos que existem, pelo menos no mundo ocidental. No Ocidente de hoje temos bastante informação de quase tudo, desde que essas informações sejam divulgadas. Mas durante muito tempo os Amishes, em parte por eles viverem isolados, sem acesso a meios elétricos e eletrônicos era mais complicado saber algo sobre eles.

Mas por que eu resolvi escrever sobre eles? Apenas pra deixar registradas algumas coisas que andei descobrindo. E como eu descobri? Simples. Eles resolveram se abrir mais para o mundo, sim. Desde o ano passado o canal Investigação Discovery andou mostrando histórias desse povo. Num programa chamado Cultos Mortais apresentaram dois casos criminais envolvendo os Amishes, em outro programa chamado Histórias de Assombrações, os próprios Amishes resolveram falar sobre casos sobrenaturais e misteriosos que circulam pelas suas comunidades. E sinceramente, nesse caso sem ironia nenhuma da minha parte, encontrei bastante coisas interessantes sobre eles. Muito alem do exotismo de não usar eletricidade, e serem visivelmente anacrônicos para os tempos modernos.

Uma das primeiras coisas que me chamou atenção foi a língua, isso chamou atenção pelo fato de que no programa sobre assombrações eles falavam uma língua e havia uma legenda, isso num programa dublado, então é claro que eles estariam falando algo que não é inglês, descobri por pesquisas que essa língua seria o "alemão da Pensilvânia", já que eles descendem de povos da parte alemã da Suíça, e um dos líderes teria sido holandês. Isso justifica o fato deles chamarem todos que não são Amishes de "ingleses", sim eles usam essa definição da forma mais genérica possível.

A religião deles é um segmento de anabaptistas que mistura elementos tanto do catolicismo, quanto do protestantismo, não estou dizendo isso por serem anabaptistas, estou dizendo que no caso deles ocorre essa mistura de elementos. E descobri que pelas histórias de assombrações, eles afirmam que fantasmas não existem, mas de alguma maneira eles acreditam que algumas coisas são portas de entrada para o demônio. Mas aparentemente o ceticismo deles não inibe que coisas estranhas aconteçam. Inclusive bruxas nascendo nas comunidades, em 8 episódios onde contavam duas histórias por episódio, pelo menos uma das histórias envolvia uma bruxa. As bruxas não eram bem vistas, costumavam ser banidas, e coisa que não ficou muito clara, elas sempre acabavam morrendo cedo. E quando uma bruxa morre eles têm por hábito plantar uma árvore sobre o túmulo, não querem espírito de bruxa vagando entre eles, mas mesmo assim eles afirmam não acreditar em fantasmas, vai entender...

Outra coisa que descobri ser uma porta para a entrada do demônio são inocentes bonecas, embora eu tenha pânico de bonecas, para o bem da explicação vamos assumir que sejam inocentes. Falo de qualquer boneca que podemos imaginar, desde aquelas com aspecto de bebês até as Barbies. Qual o problemas com elas? Simples, elas possuem rostos, eles não admitem essa representação humana em quadros e bonecas. As bonecas que as meninas brincam devem ser de pano e sem rostos. Elas devem ser assim. Mas se querem que eu seja absolutamente sincera, acho que essas bonecas são mais sombrias que o normal.

Descobri também que eles têm a chance de escolher continuar na comunidade. Isso acontece quando completam 16 anos, eles podem levar a vida dos "ingleses" por 1 ano, e ao final desse tempo podem permanecer nesse mundo, ou voltar para a comunidade e confirmar- se como membro fiel do grupo. Pelo que eu percebi muitos acabam voltando mesmo, e decididos a levar esse estilo de vida adiante.

Mas de qualquer maneira sou simpática a eles. Afinal eles seguem seus princípios vivendo na deles, não ficam por aí como grupos que conhecemos bem que saem catequizando, tentando converter mais gente para a religião deles, vendo esses programas deu até vontade de passar uma semana com eles. Deve ser relaxante.  Sei que no canal NatGeo já foi mostrada uma experiência com 6 jovens ingleses (dessa vez sem aspas, porque vieram da Inglaterra mesmo) rebeldes, eles teriam que passar por várias comunidades Amishes pra viver esse estilo mais simples. No início estranharam muito, mas lá pelas tantas foram se acostumando e aprendendo a respeitar as famílias. E sobre respeito os Amishes parecem entender muito bem. E sobretudo confesso que passei a gostar deles. Se querem saber, eles são bem legais.

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2015

Crime e Castigo, minha versão.

Semana passada dois vídeos chamaram atenção, um deles é uma reportagem da Rede Record que mostra várias cenas de violência nas escolas, alunos que agridem professores sem dó nem piedade, professores com o rosto desfocado, por medo de aparecer, uma total falta de segurança, no outro vídeo que tive acesso no mesmo dia, um delegado de polícia desabafa que não aguenta mais prender adolescente pra depois juiz soltar, e ele estava falando de uma caso aparentemente recente, o jovem foi flagrado com drogas e armas, foi preso, e a juíza entendeu que não era caso para prisão. Ou seja lá que tipo de punição deveria ocorrer.

Os dois vídeos são apelos desesperados de quem não aguenta mais ficar de mãos atadas, sim, até quando vamos continuar reféns da impunidade? Menores de idade cometem crimes atras do outro com a certeza que não serão punidos. Nesse sentido vejo que há várias coisas que ficam de fora de uma discussão mais ampla. A quem a justiça deve servir?

Sim, parece, a meu ver que a justiça serve pro bandido receber uma pena justa, toda discussão sobre justiça é sobre como o bandido vai ficar. Se o sistema prisional recupera o cara, se os presídios têm capacidade de prender todo mundo, os direitos humanos, e tudo mais. Enquanto isso, há um total esquecimento do verdadeiro papel da justiça, pelo menos no sentido da lógica pela qual se defende a existência dela.

A existência de tribunais surgiu com foco de evitar um sanha de vinganças pessoais desenfreadas, tipo, a pessoa A mata a pessoa B, e a família da pessoa B, em outros tempos mataria a pessoa A, ou algum membro da família da pessoa A, e estavam todos quites, mas isso podia incorrer num processo de toma lá, dá cá intermináveis, então os tribunais surgiram, agora a família da pessoa B, não precisa mais sujar as mãos pra resolver o problema, o Estado decide por ela o que fazer com o assassino. Então, aí eu chego no que realmente interessa, o tribunal deve sempre representar os interesses das vítimas, e claro dar uma chance do bandido se defender, mas não é o tribunal o responsável por isso, o representante do assassino A é o advogado dele, é ele que tem a responsabilidade pela defesa, o juiz e promotor representam a vítima, ou deveriam representar, pelo menos, se fazem ou não desse jeito, é algo que deve ser discutido também.


Mas sinceramente falando, acho que toda essa discussão deve manter os dois pontos principais sobre a punição, sobretudo a carcerária, o primeiro ponto, é que trancar uma pessoa, serve principalmente para retirar essa pessoa de circulação, ainda mais se essa pessoa perturba a ordem, rouba, mata e não consegue deixar ninguém seguro com sua presença entre as demais pessoas. O segundo ponto, é fazer justiça com quem saiu perdendo com o dano causado, seja a família que perdeu um filho assassinado, ou alguém que foi vítima de roubo, essas pessoas precisam de respostas da justiça. Do sistema. Daí a importância de se discutir mais seriamente questões como, punições mais severas, diminuição da maioridade penal, prisão perpétua, distinção de criminosos em categorias, se são recuperáveis, ou não, porque sim, temos que admitir que há casos que não tem recuperação, que mesmo que se aplique todo um conhecimento de psicologia comportamental, essa pessoa não será outra coisa na vida.


Outro evento que ficamos sabendo semana passada, é que o Guilherme de Pádua estaria fazendo ameaças à ex- mulher. Que já teria agido com violência com ela, a moça fugiu, no que fez muito bem. Vale lembrar que esse sujeito matou com 17 golpes de tesoura a atriz e colega de trabalho, Daniela Peres. Num dos crimes mais chocantes do país, uma vez que envolveu dois atores da Globo, maior emissora de TV do país, a moça era filha de uma importante autora de novelas, num país que novela é basicamente elemento cultural. O rapaz pegou 19 anos e alguns meses de prisão, mas ficou preso por 6 anos apenas. A questão é: a vida da moça, a Daniela Peres, pode ser reparada por uma punição tão pequena? Esse homem poderia estar solto? Se essa ex- mulher não corre desse casamento, ela poderia ser a próxima vítima?

Já vi muita gente comentando que não temos estrutura pra implantar pena de morte, ou mesmo prender menores, ou sempre adotando um discurso bastante indulgente sobre esse estado de coisas. Mas é sério mesmo que não podemos ser mais rigorosos por falta de estrutura? Temos que aceitar essa impunidade para sempre? Não podemos exigir reformas? Temos que verdadeiramente nos contentar com que temos? Não aceito isso. Se for pra ser taxada de inconformista, sou isso mesmo.

Estão esperando o quê pra prender um aluno que agride professor? Um professor sair morto da sala de aula? No vídeo da Record mostra que os professores não podem saber, por razões de manter sigilo, a identidade dos alunos fichados, que já tiveram passagem pela polícia, ou seja, a sociedade esta toda exposta a pessoas perigosas e nem sequer podem saber seus nomes.

Sei que há várias coisas que ainda faltam mencionar, mas posso aprofundar num texto específico. Mas, por favor, façam uma reflexão sobre essas questões levantadas. Alguma coisa precisa ser feita, com urgência.

terça-feira, 10 de fevereiro de 2015

Ainda Sobre o Edifício Joelma

No texto anterior eu falei rapidamente sobre o acidente. E claro fui pegando um pouco de cada aspecto observado no documentário. Nesse texto pretendo focar um pouco mais em alguns pontos que ficaram de fora no texto anterior.

Fiquei pensando muito no caso das 13 Almas, só pra recapitular trata-se das 13 pessoas que nunca foram identificadas. Elas fugiram todas pelo elevador. E até hoje, pelo visto ninguém reclamou os corpos, nunca fizeram uma investigação pra saber quem são? E elas todas estão em túmulos anônimos no cemitério, na mesma ala, e uma lado a lado da outra, assim como uma capela foi construída em memória delas. Tudo muito misterioso.

Então, ninguém apareceu dizendo que um desses 13 corpos pode ser de um irmão? De um pai? Uma tia? Como 13 pessoas morrem num acidente conhecido, e ninguém aparece pra revindicar um parentesco? 

Quanto a isso, consegui obter uma explicação plausível, essas pessoas podem ser imigrantes, morando longe de suas famílias, numa época de pouca comunicação. Ser imigrante naquela época deveria ser mais complicado que hoje. Ótimo. Quanto a isso temos uma hipótese razoável. 

Mas voltando ao aspecto espiritual do assunto, como foi falado, a Volquimar a moça de família espírita continua se comunicando com a família, o médium Chico Xavier entrou no caso e tudo.
Nisso entra o comentário genial do neurocientista. 

Ele disse que este caso estamos falando de uma família que acredita, já possui predisposição pra acreditar, a identidade da moça é conhecida, houve reconhecimento do corpo, então até mesmo alguém sem dons poderia alegar ter entrado em contato com ela. Ainda mais pelo que deu a entender no documentário, a família nunca manteve essa história oculta da mídia, autorizando até a execução de um filme sobre ela. E as 13 Almas?

O neurocientista disse que se de repente um médium aparecesse, e dissesse que conseguiu entrar em contato com pelo menos uma delas, descoberto um nome, e que essa história fosse corroborada com alguns registros, tipo a menção de um parente vivo, que pudesse confirmar a vidência, aí sim poderíamos começar a levar o caso mais a sério. Sim, os médiuns estão perdendo uma ótima chance de provar suas habilidades nesse caso.

Que tal lançar esse desafio? Aprovado?

domingo, 8 de fevereiro de 2015

Edifício Joelma e Espiritismo.

O incêndio do Edifício Joelma é bastante conhecido dos brasileiros, e provavelmente do resto do mundo também. A tragédia foi de grandes proporções. Ainda mais que mesmo sendo um prédio comercial, o incêndio começou quando as pessoas já estavam trabalhando ali. Isso resultou em mais de 100 mortes, e mais umas centenas de feridos. Muito triste.

Até aí eu já tinha conhecimento, mas hoje vendo as minhas sugestões do YouTube, deparei com um documentário sobre a tragédia, a produção ficou a cargo do programa Linha Direta da Globo. Acabei abrindo pra ver. Afinal eu gosto ver o que tem a ser dito sobre o assunto. Mas diferente de ver algo como explicação técnica do acidente, como as pessoas receberam o impacto da notícia, ou seja, qualquer tipo de informação que verdadeiramente acrescenta algo pra compreensão do impacto do evento.

Fiquei surpresa ao ver que o documentário acabou virando uma narrativa sobre maldições. Sim, maldições. 

A narrativa começa contando a história da casa que ficava no terreno antes, conta que havia um professor que morava na casa junto com a mãe e duas irmãs, esse professor acabou matando a mãe e as irmãs, atacado pela culpa se matou. Isso foi contado provavelmente pra explicar que ali já havia energias negativas. Depois a escolha das pessoas que dariam os depoimentos, uma mãe espírita de uma das vítimas fatais, uma monja budista, um radiestesista, um editor de jornal espírita, e um neurocientista, este, uma voz solitária de racionalidade. Humm!! Já ia esquecendo, um funcionário de um cemitério também participou.

Vou mostrar o que estariam fazendo essas pessoas no documentário.


O funcionário do cemitério se liga à essa história por causa de 13 vítimas nunca identificadas, essas 13 pessoas cometeram o erro de correr pro elevador, não sei se naquela época já havia instruções de não pegar elevador nesses casos, mas provavelmente entraram no elevador deixando pra trás documentação, pertences, e consequentemente suas histórias. No cemitério foram todos enterrados em túmulos anônimos lado a lado. O funcionário conta que ele costumava ouvir gritos, que eram acalmados no momento que ele jogava água nos túmulos, hoje pessoas fazem visitas e pedidos que juram ser atendidos.

A mãe espírita serviu pra contar a história dos encontros espirituais com a filha morta, que ela conversa com ela, e pra mostrar um evolvimento do Chico Xavier no evento, mais uma vez ele psicografou uma carta dessa moça, a Volquimar ( que nome pra se dar a uma filha), e pela 4ª vez eu vejo alguém psicografado tratar a mãe como "mamãezinha querida". Sei não, acho artificial esse tipo de tratamento, mas o fato é que esse foi o ponto alto do sensacionalismo do caso. Uma vez que onde estão as outras histórias? Então, fica claro que essa história é a que mais vende. 


O radiestesista, o editor da revista espírita, a monja budista fizeram depoimento pra explicar a natureza espiritual de todo o evento. Ou seja, praticamente transformaram numa espécie de Amityville brasileiro, e houve alegação que as vítimas já estiveram envolvidas na Inquisição na reencarnação passada, como assim? Então as pessoas sofrem numa vida, e continuam sofrendo em outras, acho bastante perverso esse tipo de raciocínio. 


Apesar do neurocientista ter dado umas boas pinceladas de ceticismo nessa história toda, duvido que a média das pessoas que assistiram a esse documentário deram bola pro que ele disse. É provável que um Chico Xavier tenha mais "valor" do que um cientista. Ainda estou verdadeiramente surpresa de conhecer essas histórias.

Quem quiser pode ver o documentário nesse link (https://www.youtube.com/watch?v=fD3zrjCaqoc)

Gostaria muito que esse texto pudesse gerar um debate sobre o caso, e que outras pessoas escrevam sobre isso. Ou quem sabe alguns vídeos.


segunda-feira, 17 de novembro de 2014

Criacionismo nas escolas. Pode isso?

Antes de eu responder essa questão, preciso esclarecer que há muito tempo não tenho mais paciência pra discutir política e religião. Mas fico terrivelmente indignada quando esses dois assuntos mexem diretamente com a Educação, bem como a formação de crianças e adolescentes. Sou professora que atua nas áreas de humanas, e mesmo não sendo bióloga repudio frontalmente qualquer tentativa de contrabandear, sim gosto de termos fortes, conteúdo de caráter religioso ou mesmo ideológico nas aulas de ciências. Como é o que o deputado Marco Feliciano ( fiquei arrepiada só de ter que escrever o nome dele) pretende fazer com um projeto de lei.

Mas por que sou contra?

Minha maior preocupação é claro com a Educação, e é evidente que todos sonham com uma Educação de qualidade nas escolas, que é sabido que a Educação é a principal ferramenta que dispomos para o progresso e o desenvolvimento de um país. Basta ver os países de primeiro mundo, eles estão nessa posição não por acaso e sorte, eles estão lá porque investiram em Educação. Simples assim.

Mas seria qualquer Educação? Não, óbvio que não. Na grande parte dessa Educação de qualidade, a que verdadeiramente serve de alavanca para o desenvolvimento, esta a ênfase no conhecimento científico e tecnológico, já que são esses conhecimentos que geram recursos para que um país seja efetivamente independente. Se fôssemos pródigos nesses conhecimentos, muito provavelmente, não teríamos que importar smartphones do exterior, teríamos condições de produzir essa tecnologia aqui mesmo. Até mesmo a agricultura, que é nossa principal fonte de riquezas, depende de grande conhecimento científico para produzir alimentos. Não é possível atender a uma demanda de milhões de habitantes aqui no país, e bilhões pelo mundo, com agricultura primitiva, precisamos de cada vez mais máquinas pra dar conta de todo o processo, desde o plantio até a colheita e posteriormente a distribuição.

Simplesmente não dá pra colocar criacionismo e ciências no mesmo patamar, não estão, ainda mais quando pensamos no quanto estamos atrasados, os índices internacionais estão há anos nos colocando entre os últimos colocados em Educação. E conhecimento científico esta entre os fatores avaliados nas provas. Como os alunos poderão competir assim? Com os conteúdos cheios de ambiguidades? Até mesmo para a questão ambiental temos que investir pesado em ciências, veja o que esta acontecendo aqui no Estado de São Paulo, onde moro. Temos uma seca, ao que parece, das piores em décadas. Tivéssemos uma população mais bem educada e preparada, mais sensível aos problemas ambientais e mais estrutura pra lidar com isso tudo.

Espero que com esse texto eu possa contribuir de alguma maneira com essa questão. Não fiz uma crítica clara ao projeto, mostrando onde ele esta errado, preferi focar na importância do conhecimento científico para a sociedade. Minha preocupação sempre será com a Educação. E só acredito numa Educação se ela trouxer uma sociedade melhor, menos injusta, e que nos traga ferramentas para o desenvolvimento do país.

sábado, 5 de julho de 2014

Gatos II

Adoraria que esse texto fosse mais um falando das inúmeras qualidades dos gatos, mas o que me traz de volta a escrever sobre esses animais fantásticos foi uma notícia que eu li. Isso foi numa quinta feira, num post da jornalista Cora Rónai, que como muitos sabem é apaixonada por gatos.

A notícia foi essa aqui: http://g1.globo.com/rio-de-janeiro/noticia/2014/07/prefeitura-do-rio-retira-gatos-de-sua-sede-sob-protesto-de-ongs.html. Nem vou editar esse link, pois prefiro que já tenham ideia do que se trata.

Bom, eu acho até que todos os gatos deveriam ter um lar, e viver cercados de amor, pois eles adoram carinho, e são extremamente carinhosos também, vale muito a pena ter um gatinho em casa, até hoje nunca me arrependi de nenhuma gata que tive em minha vida. Mas infelizmente nem todos os gatos têm essa sorte de ter um lar, ser adotado, e muitos não seriam elegíveis a adoção também. E o que acontece, então com eles? Ficam nas ruas, mas normalmente eles acabam elegendo parques e jardins públicos pra montar pequenas colônias, e lá acabam se reproduzindo. O que pode vir a incomodar algumas pessoas, e preocupar outras. Mas não é de hoje que um grupo de pessoas, e entidades observaram essa situação e resolveram se movimentar pra minimizar os possíveis transtornos.

São ONGs, pessoas que se preocupam e vão lá fazer alguma coisas, protetores que já montaram um esquema parecido com uma rede de atuação nas cidades. O que eles fazem é basicamente o que um proprietário responsável faz pelos seus gatos domésticos, só que essas pessoas resolveram fazer por todos os gatos de rua que encontram, isso inclui vacinação, vermifugação, e castração. E claro dão comida e muito amor. Ou seja, os gatos não oferecem riscos a ninguém, já que as providências pra evitar epidemias são tomadas, e a castração cuida para que essa população não aumente, e se aumentar, temos que levar em conta o número de gatinhos abandonados pelos donos também.

Depois dessa introdução de esclarecimento, sobre o que esta acontecendo, e como essa medida afeta a vida dos gatos, já que como esta dito na matéria eles serão encaminhados a gatis, e isso se muitos não forem mortos nesse processo de remoção. Agora falo o que eu penso dessa história. Digo logo de cara, estragou meu dia.

Eu, como escrevi num post anterior, amo gatos, tive 4 gatas, e teria tido bem mais do que isso se eu tivesse morado sempre em lugares que fossem permitido animais. Então, fiquei muito tempo sem poder ter um gatinho por perto. E quem gosta sente falta de ter um, ou vários. E eram justamente esses gatos de parques, praças e jardins públicos que satisfaziam minha carência. Cheguei a fazer amizade com uma gata que sempre ficava no pátio de um condomínio perto da minha casa. Ela já me reconhecia, eu sempre que passava em frente ao prédio tirava uma horinha pra brincar com ela, fazer uns carinhos, e durante um tempo a considerei minha melhor amiga, mesmo não sendo a minha gata. Fico pensando que muita gente pode ter esse tipo de convivência com os gatos. Muito provavelmente a única forma que essa pessoa pode se relacionar com os gatos, isso falando apenas das pessoas que passam em frente ao local e aproveitam pra curtir um pouquinho, fico imaginando as pessoas que investiram uma vida pra ajudar, deve ser um desespero.

Diferente do que muitos ainda devem pensar, gatos se apegam sim às pessoas com as quais eles convivem, eles sofrem de saudades, precisam de carinho, não estamos lidando com seres imunes ao sofrimento. Alem desse aspecto o prefeito com isso estará dando um tiro no pé, já que o mundo moderno espera que haja harmonia na convivência entre animais de rua e os humanos, que haja menos casos de envenenamentos de animais, que haja menos atropelamentos, menos maus tratos, a presença desses gatos nesses lugares acessíveis estimula essa convivência saudável. O recado que a prefeitura esta dando é que gatos são pragas, e que devemos nos livrar disso. Posso estar sendo crua, mas a realidade é essa, quem faz isso pensa exatamente desse jeito. Então é esse o valor que queremos passar às pessoas? Eu não, posso ter poucos leitores, mas mesmo assim não poderia deixar de me pronunciar sobre isso.

Chegou a circular uma petição pra evitar que isso fosse levado adiante, mas pelo visto não deve ter chegado a tempo, ou foi desconsiderada, mas estou na esperança que ainda seja possível fazer algo a respeito. E que isso não volte a acontecer em outros lugares, não apenas no Rio de Janeiro, como também em outras cidades que tenham esses animais comunitários. Que diferente de serem retirados, deveriam ser considerados patrimônios da cidade

segunda-feira, 26 de maio de 2014

Gatos

Quando pensei em criar esse blog pensei em escrever basicamente sobre ceticismo, o nome dele sugere isso, mas até agora não consegui manter uma unidade temática nas postagens, mas o que esperar de uma pessoa com interesses tão abrangentes? Um deles são gatos, adoro gatos. Acho que o mundo simplesmente ficaria bem mais feio sem eles, não só os domésticos como também os exemplares selvagens. Cada um mais lindo que o outro. Nesse sentido resolvi compartilhar como eles entraram na minha vida.

Sei que foi uma paixão tardia, já deveria estar com meus vinte e poucos anos, antes influenciada por séries como a Lassie e Rintintin, achava que cachorros eram os melhores, e a minha família chegou a ter cachorros, mas o interessante é que a paixão era concentrada na infância do animal, pois as raças envolvidas eram de grande porte, e mais tarde eram usados como proteção da casa, hoje não sei se gosto dessa visão utilitarista da coisa. Mas na época parecia normal. Afinal o Rintintin era até soldado, e sim, tivemos pastores alemães em casa. Até que mudamos pra apartamento, meu pai e minha mãe nunca mais pensaram em ter cachorros, nem daqueles pequenos. Nesse tempo meu pai morreu, meu irmão casou, ficamos só eu, minha mãe e minha irmã mais nova em casa. Foi aí que aconteceu de uma amiga da minha mãe nos dar de presente uma gatinha, era uma tigradinha meio cinza, não sei descrever a cor. Demos a ela o nome de Janis Joplin, simplesmente amamos. A  Lua uma mistura de persa com angorá, frajola, veio no dia da primeira consulta da Janis ao veterinário, fomos vacinar uma gata e voltamos com duas gatas pra casa. Foi impossível resistir à fofura extrema da Lua.

A Lua deu o golpe definitivo, o fatality, eu e minha irmã fomos contaminadas incuravelmente pela paixão pelos gatos. Que Lessie que nada, Garfileld é que reina absoluto. Comecei a ver os desenhos do Tom & Jerry, do Frajola e Piu- Piu de outra maneira, achando os gatos retratados de maneira muito injusta nesses desenhos. Tenho vontade de esganar o Piu- Piu. Ainda simpatizo com o Manda Chuva, pelo menos mostra um grupo de gatos tentando sobreviver do jeito que podem. Depois comecei a tomar consciência do tamanho do preconceito com eles. Que não são amigos, que gostam mesmo é da casa. Esse tipo de coisa.

Ledo engano, quem diz isso ou nunca teve um gato, ou se teve nunca se deu ao trabalho de prestar atenção aos sinais que eles emitem o tempo todo. Eles são super carinhosos, são meigos, dóceis, às vezes agitados, mas tudo é compensado com doses intensas de afeto, de fofura e amor. São ótimos amigos. Lindos.

Mas por que resolvi escrever sobre eles?

Semana passada uma gata californiana reacendeu essa discussão sobre o valor que os gatos dão aos donos, a gata simplesmente deu um chega pra lá num cachorro que estava atacando o filho dos donos. A gata ficou famosa no mundo inteiro. O vídeo que mostra a cena foi visualizado quase 20 milhões de vezes, a gata foi homenageada num jogo de beisebol. Virou heroína nacional praticamente. Mas antes disso já vi relatos de gatos que pularam em cima do dono que estava desmaiado numa tentativa de fazê-lo voltar a consciência, gatos que acordaram donos pra alertar de incêndios na casa. Ou seja, são relatos e mais relatos atestando as qualidades felinas. Falo felinas, pois já vi gestos de gratidão até mesmo de um leão, quem não conhece, procurem conhecer a história do leão chamado Christian, emocionante. Outro vídeo recente foi de um lince se desmanchando em carinhos por um garoto. Isso tendo em mente que são animais selvagens. Não domesticados. Ou seja, os gatos estão com tudo. Finalmente parece que história esta começando a fazer justiça a eles. A internet pelo menos já é deles. Reinam absolutos em vídeos, posts, memes e tudo mais.

Esse post é um agradecimento pela existência desses seres lindos e fofos, e uma homenagem às gatas que entraram na minha vida, e uma em especial que esta comigo agora, a Mimi, que de uma forma diferente ela salvou a minha vida, é por causa dela que acordo todos os dias. Ela que me dá forças pra continuar na luta. Antes eu acordava sempre de mau- humor, ver a carinha dela logo cedo isso não é mais possível. Amo até vê-la dormindo, ela parece sempre que esta fazendo algo pra me divertir. Eu a amo.  E também é uma menção honrosa a todos os gateiros e gateiras que lutam por eles. Aos que buscam quebrar os preconceitos contra os gatos, que conscientizam as pessoas quanto à necessidade de protegê- los. Temos um longo caminho a percorrer, mas já percorremos um bom caminho. A todos os gatos do mundo meu muito obrigada por vocês existirem.

domingo, 6 de abril de 2014

Personagens que Jamais Gostaria de Encontrar - um contraponto do outro post.

Na postagem anterior mencionei os personagens que gostaria de passar o dia, mas depois fiquei pensando que há personagens que definitivamente detestaria encontrar, se encontrasse provavelmente o resultado seria o desastre. Vou seguir o mesmo esquema de começar pela minha infância e depois vou seguindo até hoje.

Na minha infância eu li Pollyanna, sim, eu li. Confesso que naquela época até que gostei, mas depois de algumas reflexões, alguns acontecimentos desagradáveis depois, percebi que o tal "jogo do contente" era a última coisa que eu precisava como consolo, que toda vez que alguém chegava com uma lógica parecida comigo, eu tinha vontade de socar essa pessoa na cara, afinal, quando estamos desesperados por algum motivo saber que há pessoas que estão piores não ajuda, ainda mais porque eu ficava com a impressão que minha interlocutora não estava assim tão preocupada com o meu problema, já que se ela tinha cabeça pra pensar em outros supostos sofredores, que supostamente estavam piores que eu, então eu não tinha importância nenhuma pra ela, então ela que fosse consolar essas pessoas mas sofridas que eu e me deixasse em paz. Outro dado sobre a Pollyanna, é que ela esquecia seus próprios problemas em função dessas mesmas pessoas piores que ela, caraca, na real essa garota não se dá a menor importância, ela tem sérios problemas de negação, o fato de pessoas sofrerem mais que ela, ou sofrerem mais que eu, não significa que meu sofrimento ou o dela não tenha importância, nem mereça atenção. E quando tudo parecia que isso ia ficar somente na minha infância, eis que me aparece o Pangloss.

O Pangloss para mim é uma versão adulta e mais filosófica da Pollyanna, ele é uma espécie de mestre e companheiro de aventuras de Cândido, do livro clássico do Voltaire. Enquanto eu lia esse livro, não via a hora que o Pangloss caísse na real, já que toda a aventura estava marcada por um monte de desgraça. Isso complica muito. Já que nem sempre manter o otimismo cego ajuda, às vezes uma pessoa que assume que a situação esta complicada enxerga melhor as saídas. Se é que existe saída. Mas ainda bem que diferente da Eleanor H. Porter, a autora da Pollyanna, Voltaire é um gênio literário e filosófico, o que fez dessa abordagem do otimismo uma leitura muito, mas muito mais interessante mesmo. Os momentos de ironia no texto geniais, adoro esse livro. Completamente diferente da pieguice emética da Pollyana. No fundo acho os otimistas demais muito chatos.

Uma personagem recente que odiaria encontrar é a Dolores Umbridge, que foi a professora de Defesa contra as Artes das Trevas de Harry Potter, acho que de todos os vilões ela é a única personagem que realmente consegui sentir repulsa. Diferente de vários vilões clássicos da Literatura, que costumam ter um certo charme, um carisma, a Dolores não é nada disso. Ela é chata, não dá pra sentir a menor empatia com ela. Falo empatia mesmo. Vejamos o Voldemort, mesmo com toda maldade, somos tentados a entender o que se passou com ele, sabemos que a vilania dele tem uma causa, é um personagem psicologicamente complexo, ele não é chato, há momentos que dá até pra entender o por quê dele ser do jeito que é. Mas a Dolores, francamente não dá. Ela é má por pura opção. E parece que não faz a menor questão de ser diferente. Há uma coisa que já faz da J. K Rowling uma escritora histórica, ela conseguiu criar a vilã mais desagradável de todos os tempos. Nunca tive tantos problemas com os vilões, mas essa é a mais desagradável de todas. Alias os vilões costumam ser até bastante sedutores. Personagens interessantes mesmo.

Há um personagem no entanto que tenho minhas dúvidas, o Gregor Samsa. Acho que se não fosse o problema dele ter virado um inseto, coisa que não sei de onde tiraram a ideia de que seria uma barata, já que pelo menos nas traduções que eu li poderia ser um besouro, mas como tenho sérios problemas com insetos em geral, besouros, baratas, borboletas, mariposas, gafanhotos, tenho fobia a todos eles. Sou do tipo que não pode ver borboletas nem desenhadas por crianças. Imagina pensar numa pessoa metamorfoseada num inseto enorme, um pavor completo. Mas ao mesmo tempo, eu sinto uma compaixão enorme pelo personagem, pelo ser humano que ainda reside nele, no momento que a família passou a vê-lo como uma vergonha, e ele chegou a ser atacado por aquela maçã, eu não consigo descrever o que eu senti nesse momento da história. Eu chorei convulsivamente por horas com essa atitude do pai. Deu vontade de proteger.

Interessante que durante o processo de elaboração do texto, percebo que a quantidade de personagens que detestaria encontrar não são muitos. Deve ser porque a Literatura sempre nos traz coisas boas. Mesmo quando estamos lendo livros densos, cheios de tragédias, nos expondo o lado mais sombrio da vida, ainda assim somos inundados por sentimentos, por luzes e sombras, sobretudo pela beleza de um texto bem escrito. Não sei se algum dia serei capaz de escrever como um grande escritor, mas tento fazer o melhor que eu posso. E vou prestando minhas singelas homenagens nessas linhas, nesse espaço que eu criei para expressar minhas ideias, e escrever simplesmente porque eu amo a palavra escrita. Aos grandes e pequenos escritores meu muito obrigada por colocarem esses personagens na minha vida, tanto os legais quanto os chatos.

Personagens que eu Passaria um Dia se eu Pudesse - Texto Rápido

Acho que todo amante de livros, sobretudo romances já se imaginou tendo encontros com personagens, o que seria dito nesses encontros, se daria algum conselho, ou iria preferir ouvir mais, resolvi listar brevemente aqui uns que me vêm a mente quando penso nisso.

Na minha infância são dois, A Sofia do livro Sofia, a Desastrada de Condessa de Segur, pois a menina se dava mal o tempo todo, um dos poucos personagens infantis antigos que mostrava a infância do jeito que ela era, sem muita fantasia. Eu era igualzinha. O outro seria o Tistu, do Menino do Dedo Verde, Maurice Druon, o primeiro e único livro infantil do autor e foi muito bem sucedido, lembrando que os livros adultos são muito bons. O Tistu é outro que eu adoraria brincar e ter como amigo.

Na adolescência, seria a Clara da Casa dos Espíritos, Isabel Allende, sou uma das que detestou a escolha da Merill Streep pra fazer a personagem, por maior que seja o talento dela, não dá pra encaixar a personagem com o rosto dela, deveriam pegar uma atriz mais morena e mais jovem, pois mesmo depois de uma certa idade, dava a entender que ela mudou pouco. O único ator que achei bem escalado foi o Jeremy Irons. Outro seria Adonai do livro homônimo com o subtítulo de Novela Iniciática do Colégio dos Magos do Jorge Adoun, ele também é conhecido como Mago Jeffa, acho interessante porque ele joga toda a história no contexto libanês, O Adonai da história começa como Adônis e ele é cheio de dons espirituais, e é inteligente pra caramba, mas se envolve com um dos vários problemas políticos do Líbano e tem que se isolar numa comunidade drusa onde conhece um mago que tem que ajuda-lo na sua iniciação, mesmo depois de iniciado, quando passa a se chamar Adonai, ele chega a ser conselheiro de um vizir, lidando com essas questões mais políticas mesmo. 

Nos meus 20 anos adoraria conviver com Sherlock Holmes, que dispensa comentários.

Agora aos 30 e tantos penso em todos os psicanalistas criados, tanto os inspirados em personagens reais quanto os fictícios, pelo Irvin D. Yalon, o do Quando Nietzsche Chorou. Adoraria conversar com todos eles, e sobretudo ser paciente do autor.


Claro que há personagens mais ricos, existencialmente claro, que até gosto bastante, o Dorian Gray, do Retrato por exemplo, adoro o livro, adoro o jeito como ele vai se construindo e desconstruindo, mas não sei se daria pra aguentar toda aquela bajulação em torno da figura dele, nem o Sir Henry, provavelmente. Amo o livro O Estrangeiro do Albert Camus, o Meursault, quem sabe? Ele parece frio e apático, mas algumas coisas fazem sentido. Vira e mexe me pego pensando que essa é uma pessoa que me entenderia. Muito bom pra quando estamos precisando de respostas cruas, sem rodeios. Na realidade seria interessante um personagem por dia. Nossos dias mudam, as companhias literárias também. 

domingo, 2 de março de 2014

Sobre a Aprovação Automática: pronto falei.

Existe numa condição discreta, passando despercebida para uma boa parcela da população uma espécie de batalha entre pedagogos e professores, até porque é bom esclarecer logo que há diferenças. Pedagogos essencialmente são formados em pedagogia, estudam métodos de ensino e os aplicam genericamente em todas as áreas escolares. Quando atuam nas escolas podem vir a ensinar qualquer coisa, ou mesmo compor o quadro administrativo: direção, coordenação, orientação etc. Nas faculdades são os que ensinam disciplinas como Fundamentos da Educação, Didática, Prática de Ensino e supervisionam os estágios dos futuros professores. O pedagogo é basicamente um professor que ensina um outro professor a dar aulas. O professor, por sua vez, pode ser qualquer um que tenha feito algum curso de Licenciatura, nesse caso ele obtém o título numa área específica do conhecimento. No caso Licenciatura em Matemática, Licenciatura em Letras, Biologia, Artes, Música, etc. Então o professor poderá lecionar apenas nessas áreas. Salvo alguns casos excepcionais, como cidades em situações de extrema carência de profissionais, que acabam pegando professores para ensinarem matérias que não são suas respectivas especialidades.

Fiz essa introdução toda acima para tentarmos, ao longo do texto, entender porque certas bizarrices acontecem em nossas escolas. Uma das que percebo quase sempre é algo chamado "progressão continuada", mas que ficou popularmente conhecida como "aprovação automática", que significa isso mesmo que o nome indica. O aluno não será reprovado, mesmo que todas as evidências mostrem que ele não tem a mínima condição de seguir em frente. Na realidade esse caso mostra muito mais sobre a preguiça de se aprofundar em certos métodos, do que um caso de irresponsabilidade, quem quiser entender preguiça e irresponsabilidade como palavras afins, não façam cerimônia. 

O fato é que existem mesmo vários trabalhos acadêmicos, estrangeiros claro, sobre esse tema. Um dos teóricos que podemos utilizar para ficarmos numa fonte que conheço bem, o Philippe Perrenoud, estabeleceu uma mudança radical na dinâmica em salas de aula. E uma das ideias dele consiste justamente em dividir os anos escolares em ciclos que podem ser de 2 em 2 anos, 3 em 3 anos, desde que em tempos iguais, somente ao final desses ciclos o aluno seria avaliado como elegível ou não para o ciclo seguinte. Mas a rigor não quer dizer que ele não sofrerá nenhuma detenção nesse meio tempo. Isso porque a grande diferença dessa concepção não esta aí, no fato do aluno ser simplesmente aprovado, alias o aspecto da aprovação vem a ser, a meu ver, o menos importante disso tudo. Mas antes que eu siga explicando a base do método, farei uma breve explanação sobre a relação de ensino-aprendizagem.


Muitos já ouviram algo como "não há ensino, sem aprendizagem", "ensinando é que se aprende", o que parece importante, já que muitas vezes temos ambas as coisas simultaneamente, mas para efeito da minha demonstração devemos separar por algum momento esses conceitos. A pedagogia tradicional costumava centralizar seus esforços no ensino, nessa condição o grande protagonista é a figura do professor, e este deveria dar brilho, caprichar bastante na sua oratória para expor o conteúdo da aula de maneira que ele pareça bastante claro para os alunos, é a chamada aula expositiva, o professor fala, os alunos anotam, copiam, e raras vezes se sentiam à vontade de tirar alguma dúvida, ou mesmo fazer algum questionamento sobre a exposição do professor. Com o desenvolvimento da Psicologia Cognitiva, os pesquisadores passaram a se preocupar em entender o que faz uma criança aprender. Veja que esses professores antigos jamais pensariam nesse problema. Nunca se perguntavam se os alunos estavam efetivamente aprendendo. Para eles seria um desrespeito pensar que a aula maravilhosa dele não faria o aluno aprender. Afinal alguns alunos tiravam boas notas, quem tirasse nota baixa, não é inteligente o suficiente, não é esforçado. E outras acusações do tipo. Na realidade era um sistema que premiava o esforço. Pois muitas vezes o famoso aluno esforçado não havia entendido a aula, mas como era responsável e estudioso, não saía do quarto até aprender alguma coisa. Mas preocupação com os alunos mais "fracos", o professor não tinha mesmo. Foi essa a grande mudança que as Ciências Cognitivas trouxeram para a pedagogia. Não nos interessamos mais na forma como o professor ensina, queremos entender como é que os alunos aprendem. Todos são capazes de aprender? Parecia que sim, o que provavelmente precisamos fazer é apertar os botões corretos do cérebro de cada aluno. Aprender o mapa do aprendizado, essa parecia ser a chave do problema.


O que nos traz de volta ao Perrenoud, ele concluiu que sempre que pensarmos a Educação e a Pedagogia em termos de conteúdo, o professor jamais sairá do palco central, lembrando que é o professor que detém o conteúdo, ele o transfere generosamente aos alunos, se eles não aprendem é uma injustiça total. Perrenoud pensou, o que os alunos devem se tornar? A palavra que surgiu foi competência, imagino que estejam percebendo a diferença. A ideia não é mais fazer o aluno assimilar um conteúdo, é fazê-lo competente no trato com aquela área do conhecimento. Então ele definiu o que seria um conjunto de competências desejáveis a serem adquiridas naquele ciclo, os tais ciclos que falei acima, e cada competência seria conquistada, sim, a ideia é de conquista, seria trabalhada na forma de aulas problemas. As aulas funcionariam como aquelas reuniões de brainstorm, onde todos participam na solução dos problemas propostos. Há exemplos nos livros dele de atividades até curiosas e desafiadoras, como escrever uma redação inteira sem usar uma única palavra que contenha uma letra qualquer, tipo eliminar a letra E. Como os alunos farão esse trabalho? A solução deve sair dos próprios alunos. Depois os trabalhos seriam lidos para a classe, haveria a exposição da maneira que eles usaram para resolver esse problema. O objetivo dessa atividade seria desenvolver a competência de escrita e vocabulário. Nada parecido com isso é feito nas escolas brasileiras, como já devem estar percebendo. E dizer que o aluno seria aprovado sem mais nem menos é um absurdo, no caso dessa atividade, se algum aluno não obtiver os resultados esperados, vejam que o objetivo da atividade é claro, fácil saber se houve sucesso ou não, no caso de o aluno não conseguir ele vai repetir a atividade, ou seja ele repete a competência, mas suponhamos que esse mesmo aluno, foi ótimo em outra atividade, tipo alguma ligada a uma competência de Matemática, daí sim ele segue adiante. O importante que ao longo do ciclo o aluno chegue ao final dominando todas as competências necessárias da etapa em questão. 

Quais as conclusões que podemos extrair disso tudo? Que para tudo isso funcionar daria um trabalho danado, deveria haver uma seleção mais rigorosa das competências que são realmente indispensáveis aos alunos, pois cada competência dessa levará um número maior de aulas para serem trabalhadas. O professor deverá estabelecer prazos e planejamentos mais concretos, não podemos cair no laissez faire. Ou seja, tanto professores quanto alunos deverão trabalhar muito mais para a coisa funcionar. As classes deverão conter menos alunos, a maioria das atividades seriam feitas em grupos, e posteriormente todas debatidas com todo mundo. As notas devem ser dadas todos os dias, provas bimestrais, semestrais estariam abolidas, já que todas as atividades funcionam como provas, até um espirro é avaliado. Isso é interessante pois o professor pode identificar o exato momento em que o aluno apresenta a dificuldade que esta atrapalhando o progresso, e atacar esse problema em tempo real, não depois de 2 meses de problemas acumulados. Outra consideração a fazer sobre o que Perrenoud entende por competência é que alem de você ter domínio das que você trabalhou junto dos colegas e professores, o aluno deve ser capaz de extrapolar aqueles conceitos para outras situações diferentes, coisa que não acontece numa abordagem conteudista.

No geral é bastante atraente essa ideia quando tomamos conhecimento das partes mutiladas, eu especialmente até gosto bastante. E não aguento ver gente distorcendo ideias por puro oportunismo, seja de ordem política, seja por preguiça e desonestidade intelectual, e é claro que como nem todos os cidadãos estudam Licenciatura na faculdade, acabam não entendendo de onde surgem certas ideias. E criticam com toda razão. Não existe essa bizarrice que implantaram em nossas escolas. É claro que ainda há muito mais coisa a falar sobre metodologia de Perrenoud, mas vou deixar para um post futuro. Acho que as informações que deixei aqui já atendem a necessidade de pelo menos mostrar o outro lado dessa questão. Não acho que um aluno deva ser reprovado sumariamente, muitas vezes por causa de uma única matéria. Mas isso tem uma distância enorme em relação a passar de ano sem saber nada. Nesse caso temos as retenções, essa deve ser aplicada sim. Claro. 


sexta-feira, 24 de janeiro de 2014

Palavrão: um pequeno insight.

Não é de hoje que sinto necessidade de terapia, as razões que me levam a isso não cabem aqui nesse texto, pode ser que eu explore melhor numa outra oportunidade. O que trago aqui é compartilhar umas impressões que tive nessas experiências, sobretudo essa última tentativa. Penso que qualquer um que já tenha passado por quase uma dezena de terapeutas, e quase o mesmo número de linhas terapêuticas sabe que nem sempre as relações entre terapeutas e pacientes são as mais harmônicas, as mais produtivas. Alguns conseguem nos conectar com nossas essências, outros parecem querer fabricar essa essência, colocam palavras nas nossas bocas, forçam importância a uma determinada frase que não proferimos com esse tom de destaque todo. É basicamente isso que estava acontecendo com essa minha terapeuta mais recente, meu namorado já havia sentido que havia problemas nesse jeito de proceder a terapia. Mas eu, por ser uma pessoa de pagar pra ver, dar chances pro outro se mostrar melhor, fui ficando nessa terapeuta, até que algo pareceu me despertar pra inutilidade de insistir nessa abordagem, há uma série de coisas que preciso resolver em relação aos meus fantasmas? Claro que há. Mas existe algo que uma abordagem mais pragmática será mais útil? Sim, eu preciso acreditar nisso.

Há umas 2 semanas me coloquei em marcha pra ir atras de outro tipo de ajuda, liguei pra essa terapeuta pra dizer que estava saindo do processo, que precisava cuidar de outras coisas, e que não iria mais lá. Mas ela tentou insistir em marcar um encontro pra discutir a minha decisão. Num primeiro momento até me pareceu justo. Mas a medida que o encontro se aproximava, minha vontade de mandar a mulher tomar no cu, sim, mandar um lindo e sonoro VAI TOMAR NO CU, aumentava exponencialmente. Falei sobre isso com meu namorado. Ele disse que não parece uma forma racional de tratar o assunto, concordo. Mas ao mesmo tempo esse trecho da conversa ficou martelando na minha cabeça, e pego-me refletindo sobre a natureza do palavrão.

Não gosto de negar que somos todos animais, o que costumamos conseguir no máximo é sublimar ou recalcar nossos instintos, não conseguimos neutralizá-los totalmente, do contrário acho que seríamos menos raivosos uns com os outros, até mesmo as emoções mais nobres, como o próprio amor, teriam outro nível de compreensão e manifestaríamos de um jeito diferente do que conhecemos isso tudo. Acho que sentimentos e emoções são nossas conexões animalescas. A diferença é que nossa espécie gosta tanto de ser especial, que criamos a linguagem, provavelmente os animais sentem amor da mesma forma que sentimos, mas nós demos nome a isso que sentimos e chamamos de amor. Uma forma de racionalizar algo que pertence às emoções. Ok, Zoe, mas onde entra o palavrão nisso tudo?


Fiquei pensando que o palavrão não chega a ser algo tão tosco assim. Em relação a minha atual ex-terapeuta, mandar "tomar no cu" não deixa de ser uma estrutura complexa, diante da raiva que eu estava sentindo acho que conseguir pensar numa frase, "vai tomar no cu", com uma construção sintática completa, verbo, sujeito "você" nesse caso elíptico, predicado, é ou não é uma frase sintaticamente completa? O que é questionável nos palavrões em geral é se seriam apropriados aos contextos de uso. Até perguntei ao meu namorado se ele preferia que eu lançasse um grunhido, aí sim minha animalidade estaria manifesta de maneira mais evidente, na realidade eu mando as pessoas tomarem no cu pra não ter que grunhir, ou rugir como os leões.

Nossa espécie é tão estranha que até pra xingar somos gramaticais. É apenas algo que me ocorreu.

quinta-feira, 28 de novembro de 2013

O Ateu Virtuoso: outro comentário de livro.

Antes de falar sobre o livro dessa semana, devo falar um pouco sobre minha relação com livros. Uma característica minha é a necessidade de não ficar em apenas um livro do autor, principalmente quando eu gosto desse primeiro contato com a escrita dele. Foi assim com Nietzsche, com Voltaire, Bertrand Russell, Schopenhauer, Kafka, Camus e muitos outros. Paulo Jonas de Lima Piva agradou-me muito com o Ateísmo e Revolta, o qual falei no post anterior. Nesse livro ele chegou a citar um outro livro escrito por ele. E acabei encontrando esse livro a venda numa livraria da UERJ. Sempre que vou a uma universidade procuro saber se há livrarias, alias adoro livrarias. 

O Ateu Virtuoso, se eu não estou enganada, foi adaptado da tese de doutorado do autor. Ele tem como subtítulo Materialismo e Moral em Diderot, isso significa que o livro alem de discorrer sobre a vida e obra de Diderot, ele trava uma discussão sobre a necessidade (no caso não-necessidade) de Deus na construção da moralidade.

Para o autor, Diderot visita esse tema de maneira sistemática em sua obra. Alias o tema da moralidade parece ser muito caro ao pensador francês. A exemplo do Ateísmo e Revolta há uma análise dos vários aspectos da obra de Diderot, assim como uma descrição muito interessante do reflexo que sua obra e suas ideias influenciaram o Iluminismo francês, a atuação dele como um enciclopedista, afinal é basicamente impossível falar de Iluminismo sem mencionar a Enciclopédia e os enciclopedistas. Ele volta a falar em certos momentos de Jean Meslier, fala dos libertinos. Vale lembrar que o termo libertino nessa época não tinha conotações exclusivamente sexuais. O conceito da palavra estendia-se a toda liberdade irrestrita de pensamento. Nesse sentido os pensadores ateus eram também chamados de libertinos. Afinal era uma forma de pensar livre, e desafiava o status quo.

Depois dessas considerações históricas e filosóficas sobre Diderot, segue uma análise de cada livro escrito por ele, e como ele trata o materialismo e a moral neles. Como esses livros, alguns em forma de ensaio, outros em forma de romances, dialogam com obras de outros autores da época e até mesmo anteriores. Alguns são de temática sexual. Outros falam sobre religião, mas mostrando que nesse contexto a moralidade é bastante questionável. Compara alguns romances desses com a obra do Marquês de Sade. Dá muita vontade de sair comprando tudo que é livro de Diderot.

Ele também menciona a relação de Diderot com Catarina II da Rússia, nesse aspecto o livro chama atenção pro fato de filósofos eventualmente aconselharem figuras despóticas, como foi o caso de Aristóteles e Alexandre o Grande, e Sêneca com Nero. Diderot a princípio era contra, pois achava que filósofos não tinham que se meter, mas depois mudou de ideia, acreditando que assim poderia fazer que essas pessoas fossem mais esclarecidas. 

São muitos detalhes levantados nesse livro, não é possível comentar todos os aspectos nesse post. Afinal isso não se propõe a ser um mega ensaio, o objetivo é falar sobre um livro que gostei, e ajudar a ampliar a bibliografia sobre ateísmo. Esse livro vale muito a pena. 

sexta-feira, 22 de novembro de 2013

Ateísmo e Revolta: um pequeno comentário (espero que dessa vez sem bug)

Dentro da crescente bibliografia sobre ateísmo, um livro chamou-me bastante atenção. Não é dos livros mais citados e comentados sobre o tema, talvez por isso resolvi escrever algumas linhas sobre. Eu o encontrei por acaso numa estante de Filosofia na livraria Prefácio no Rio de Janeiro. O título é justamente  Ateísmo e Revolta, o autor é Paulo Jonas de Lima Piva. Pode-se encontrar informações sobre ele nesse link(aqui).

O livro fala sobre um personagem da história do ateísmo bastante improvável. Um padre, e sim, esse padre era ateu. Trata-se de Jean Meslier. Confesso que adorei saber que esse homem existiu.          Pra falar a verdade, se não fossem algumas informações contidas na capa e na orelha do livro, não seria pelo título que eu resolvi compra-lo. Mas já na capa esta escrito que o livro fala do padre ateu. E como ele influenciou a noção atual do ateísmo.


Jean Meslier nasceu em Mazerny em 15 de junho de 1664 e morreu em Étrépigny em 17 de junho 1729, estes dados mostram que ele esta inserido no contexto do Iluminismo francês.            Ele levou uma vida normal de sacerdote católico numa aldeia francesa. Cumprindo com seus deveres, realizava missas, pregava como todo padre. Mas na intimidade escrevia um diário, nesse diário ele falava abertamente sobre sua descrença, escrevia coisas sobre Deus e Jesus que fariam muitos ateus de hoje corar. Falava da repulsa que ele sentia do clero e da aristocracia. O que também o aproxima politicamente do comunismo e do anarquismo, dependendo da fonte que se lê a respeito desse padre. Este diário tinha por objetivo pedir desculpas póstumas aos frequentadores de sua igreja por ter mentido sobre a existência de Deus. Tudo que ele proferia seria mentira. E mostrava argumentos fortes contra a existência desse Deus. Um dos primeiros filósofos a ter acesso a esses manuscritos foi justamente Voltaire, mas ao editar o diário, que foi publicado com o nome de Testamento de um Padre de Aldeia, o fez disfarçando dando a impressão de que Meslier seria um deísta aos moldes de Spinoza. Mas ainda bem que a História mostrou a verdade desse caso.

Em Ateísmo e Revolta, Paulo Jonas destrincha cada detalhe desse homem, mostra os tais argumentos usados por Meslier para demolir a existência de Deus. Mostra as influências filosóficas desse pensador inusitado. Mostra como ele era original em suas ideias. E como ele influenciou pensadores até mesmo do porte do Diderot. E não esquecendo de Voltaire também. A ponto de uma frase super famosa que costuma ser atribuída ou a Diderot ou a Voltaire, na realidade ser de autoria do padre.


A frase é essa:

‘Eu gostaria, e este será o último e o mais ardente dos meus desejos, eu gostaria que o último rei fosse estrangulado com as tripas do último padre’

Na realidade Diderot a usou com uma leve mudança, e foi assim que a frase chegou até os dias de hoje.
 o homem só será livre quando o último rei for estrangulado com as entranhas do último padre”



O livro Ateísmo e Revolta provavelmente não é tão fácil de ler, ele segue um padrão mais acadêmico no texto, mas ao mesmo tempo o autor tem tanto carinho pelo personagem, que ele prima pela clareza do texto, não permite que a formalidade ofusque o brilho do personagem comentado. O livro também compara autores contemporâneos e levemente posteriores que também contribuíram para a História do ateísmo. Barão d' Hollbach,  Marquês de Sade, Feuerbach e muitos outros.


Meslier também é citado no excelente livro Tratado de Ateologia de Michel Onfray. Posso vir a escrever sobre esse outro livro numa outra oportunidade.


Espero ter contribuído de alguma forma com esse pequeno texto.

quinta-feira, 7 de novembro de 2013

O Cartório do Kafka.

Apesar de não ter criado esse blog para falar de assuntos pessoais, já é a segunda que o faço. Mas acho importante descrever o que se passou nesse mês. O assunto anterior foi um problema com o banco, agora o problema foi um cartório. Creio que é interessante compartilhar isso, pois se alguém se identificar com o problema poderá exercer sua crítica também.

O problema começou quando minha mãe me liga da cidade onde eu morava antes de vir para São Carlos (SP). Eu morava numa casa que esta sendo utilizada pela minha irmã como consultório. Então, o problema foi a conta astronômica de luz do imóvel. Haveria a necessidade de parcelar, ou entrar com um processo por grande possibilidade de contagem errada do relógio. A conta de luz ainda esta no meu nome, minha irmã a usuária não poderia resolver isso sem uma procuração minha. Então fui ao cartório providenciar o tal documento. Isso foi há um pouco mais de 1 mês. Só hoje pude pegar a procuração no cartório.

Já morei em outras cidades antes dessa, já tive que fazer procuração por um motivo ou outro, e geralmente em 1 ou 2 dias eu recebia o documento e estava tudo certo. Nunca vi um caso de demora como esse. O atraso segundo o rapaz que me atendeu, recolheu as informações e redigiu a procuração, foi por causa do tabelião que tinha que conferir a procuração, e pelo volume de papel na mesa dele a minha tinha que esperar a vez. Depois da liberação do tabelião vinha a etapa que eu tinha que assinar o documento. Cheguei no cartório na sexta-feira da semana passada, e tive que esperar o rapaz ler as quatro páginas do referido documento. Sim, ele leu na íntegra. Depois seguiu-se quase 1 hora do rapaz entrando e saindo de salas até imprimir a procuração num papel oficial timbrado. Até que eu pudesse assinar e pagar pela procuração, o custo ficou em 154,00 reais. Não sei se em outras cidades o preço é esse mesmo. Mas achei caro. Problema resolvido? Não, claro que não. O documento teria que voltar ao tabelião para ele assinar, havia a promessa da liberação no mesmo dia, mas não foi isso que aconteceu. Enquanto isso minha mãe pressionando, e eu pressionando o cartório. Mas uma vez Kafka entra na minha vida.

Nesse processo todo descobri que apenas 2 cartórios atuam nessa área na cidade. Há um terceiro que atua apenas em registro de imóveis, pelo que o taxista que me levou ao cartório me falou a coisa parece uma máfia, e como são poucos cartórios na cidade os funcionários abusam muito do poder que têm e fazem as pessoas esperarem muito mesmo.

Finalmente a procuração já esta nas minhas mãos ainda tenho que enviar pelo Sedex. Nisso a luz lá já foi cortada. Por via das dúvidas pedi pra fazer uma procuração mais abrangente possível, espero não ter que fazer outra tão cedo enquanto estiver morando aqui.